Sesi celebra 80 anos com 468 escolas e histórias de transformação pelo país

Sesi celebra 80 anos com 468 escolas e histórias de transformação pelo país
Fonte da imagem: Agência Brasil


Há oito décadas, o Serviço Social da Indústria (Sesi) nascia em um Brasil que deixava para trás a Segunda Guerra Mundial e iniciava seu processo de industrialização e urbanização. Nesta quarta-feira (1º de julho de 2026), a instituição completa 80 anos com uma rede de 468 escolas espalhadas por 377 municípios, sendo 396 de ensino regular, 71 voltadas para a Educação de Jovens e Adultos (EJA) e uma de ensino superior. A data é marcada por uma exposição no Sesi Lab, em Brasília, e um show gratuito do cantor Zeca Baleiro.

A trajetória do Sesi se confunde com a história de milhares de brasileiros que tiveram acesso à educação e à saúde por meio da instituição. Um exemplo é o de Ana Carolina Gino, de 23 anos, que estudou como bolsista na escola do Sesi em Taguatinga (DF). No sexto ano do ensino fundamental, ela participou de uma aula de robótica em que montou uma maquete móvel do sistema solar com os colegas. Hoje, ela trabalha como coordenadora de suporte a sistemas da maior fintech e ecossistema voltado para energia solar do Brasil. “Esse foi o impacto literalmente da minha vivência na escola do Sesi para a minha carreira e também para a escolha de ter ido para a área de tecnologia”, disse à Agência Brasil.

O presidente do Conselho Nacional do Sesi, Fausto Augusto Junior, destaca que a instituição nunca deixou de atender prioritariamente o filho do trabalhador da indústria, com gratuidades e descontos de mensalidade. Atualmente, mais de 70% dos trabalhadores da indústria têm ensino médio completo. No ano passado, as escolas do Sesi registraram mais de 390 mil matrículas na educação básica, sendo nove mil na educação infantil, 166 mil no ensino fundamental, 85,2 mil no ensino médio e 128,9 mil na EJA.

A história do Sesi remonta a 1946, quando empresários liderados por Roberto Simonsen propuseram a criação de um serviço social para cada setor industrial. O objetivo era garantir melhorias nas condições de vida do trabalhador, em um momento em que mais da metade da população brasileira era analfabeta. “Esse é um dos momentos em que o Brasil passa a ter um debate mais sério e efetivo sobre o que chamaremos depois de direitos sociais”, afirma Fausto Augusto Junior. A ideia contou com apoio dos sindicatos patronais e dos trabalhadores.

Entre os programas abraçados pelo Sesi, a Educação de Jovens e Adultos foi considerada fundamental. As iniciativas incluíam escolas de canteiro, dentro das empresas, e unidades móveis. O educador Paulo Freire, patrono da educação brasileira, foi funcionário efetivo do Sesi por 19 anos, a partir de 1947, antes de implementar seu método revolucionário de alfabetização, que foi cancelado pelo golpe militar de 1964.

Com a Constituição de 1988, os direitos sociais passaram a ser responsabilidade do Estado, e o Sesi assumiu um papel de complementariedade nas áreas de educação e saúde. Na saúde, a instituição mantém mais de 500 unidades próprias em todo o país. Em 2025, 76,2 mil empresas foram atendidas com serviços de saúde, beneficiando diretamente 4,4 milhões de pessoas. Mais de 881 mil vacinas foram aplicadas em trabalhadores da indústria e seus dependentes. A instituição também promove políticas de prevenção e segurança laboral, com 222 centros dedicados a essa finalidade.

“Não tinha SUS (Sistema Único de Saúde) até a década de 1980. Era muito comum a atenção básica ser oferecida por profissionais do Sesi”, lembra Fausto Augusto Junior. Além disso, o Sesi criou o Centro de Atendimento ao Trabalhador, que integra saúde e educação, e mantém 296 espaços culturais distribuídos por todos os estados brasileiros, entre 2020 e 2025.

Para celebrar os 80 anos, o Sesi Lab, em Brasília, abre no próximo sábado (4) uma exposição com mais de 400 imagens e materiais que traçam uma retrospectiva histórica da instituição. Os visitantes poderão conhecer a Carta da Paz Social, documento fundador do Sesi, que defende a cooperação entre trabalhadores, empregadores e poder público como caminho para o desenvolvimento nacional. No mesmo dia, às 18h, o cantor Zeca Baleiro fará um show gratuito.

A história de Ana Carolina Gino é apenas uma entre tantas que ilustram o impacto do Sesi na vida de brasileiros. “Era uma realidade muito distante para crianças periféricas como eu”, recorda. Aos 23 anos, ela celebra o papel da instituição em sua formação e carreira, em um país que, desde 1946, busca construir direitos sociais e oportunidades para todos.

Fonte: Agência Brasil.

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