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O Congresso Nacional eleito para a próxima legislatura chega com baixo alinhamento em relação às pautas de clima e meio ambiente. Levantamento do Observatório do Clima indica que sete em cada dez deputados e senadores não defendem a proteção ambiental, segundo o Índice de Convergência Ambiental, que mede o quanto a atuação e os votos dos parlamentares se aproximam dessas agendas.
O Senado concentra o quadro mais restrito. Com a renovação de dois terços da casa, apenas 17 dos 81 senadores têm compromisso com a defesa ambiental e climática. A posição contrária às pautas socioambientais passou de 71% para 79% na nova composição.
Na Câmara dos Deputados, a avaliação é menos desfavorável: 67% dos parlamentares, ou 345 dos 513, estão distantes das pautas ambientais.
Para Suely Araújo, coordenadora de Políticas Públicas do Observatório do Clima, o crescimento da extrema-direita pode ampliar o retrocesso na área. Ela afirma que a consequência de um Congresso com baixa convergência socioambiental é o aumento de proposições legislativas na linha de retrocessos, o que tende a ocorrer a partir de janeiro, com a conformação do novo Congresso.
Diante desse cenário, a coordenadora destaca o papel da mobilização social. “A sociedade tem que mostrar indignação, é o único caminho. Qualquer parlamentar, independentemente de seu posicionamento no espectro ideológico, tem preocupação com a conexão eleitoral. Então, no momento em que a sociedade expõe que não está favorável a esses retrocessos todos, os parlamentares, com certeza, passam a se preocupar em como se comportar diante dessas propostas”, declarou.
O Observatório do Clima reúne 172 organizações, institutos de pesquisa e movimentos sociais em torno da agenda climática no Brasil.
Análise WeekNews: Os números do índice apontam para um Congresso mais distante das pautas ambientais do que o atual, com o Senado apresentando o quadro mais crítico após a renovação de dois terços das cadeiras. Como a avaliação se baseia na atuação e nos votos dos parlamentares, o cenário sugere maior dificuldade para avançar propostas de proteção socioambiental e mais espaço para iniciativas contrárias a essa agenda. A leitura do Observatório do Clima é que a pressão da sociedade pode funcionar como contrapeso, já que a preocupação com a conexão eleitoral vale para parlamentares de qualquer espectro ideológico.
Fonte: Agência Brasil.
