Três anos após 7 de outubro, Oriente Médio se reorganiza em três blocos de poder

Três anos após 7 de outubro, Oriente Médio se reorganiza em três blocos de poder
Fonte da imagem: Agência Brasil


Três anos após o ataque do Hamas contra Israel, em 7 de outubro de 2023, o Oriente Médio acumula uma sequência de conflitos e mudanças de aliança que alteraram a correlação de forças na região. A avaliação é de especialistas ouvidos pela Agência Brasil, para quem a data se consolidou como um ponto de virada na história regional.

O ataque do Hamas a vilas no sul de Israel matou cerca de 1,2 mil pessoas. A resposta militar israelense, classificada por especialistas como genocídio, destruiu cidades inteiras de Gaza, como Rafah e Khan Yunis, e causou a morte de mais de 74 mil pessoas, segundo o balanço apresentado.

KHAN YUNIS, GAZA, PALESTINE - OCTOBER 04: Workers carry out restoration work at the historic Grain Market, severely damaged in Israeli attacks, in Khan Yunis in the southern Gaza Strip, Palestine, on October 04, 2026. Established in the late 14th century, the market is one of Gaza’s oldest historic sites and covers approximately 2,400 square meters. Its historic shops are being rebuilt using their original stones to preserve the market’s architectural identity, safeguard the city’s cultural heritage and restore its economic role. Abdallah F.s. Alattar / AnadoluNo Use USA No use UK No use Canada No use France No use Japan No use Italy No use Australia No use Spain No use Belgium No use Korea No use South Africa No use Hong Kong No use New Zealand No use Turkey
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No intervalo de três anos, a região registrou a queda do governo de Bashar al-Assad, na Síria, a guerra de Israel no Líbano contra o Hezbollah, a guerra de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã, o fechamento do Estreito de Ormuz e, mais recentemente, o retorno do conflito entre os houthis do Iêmen e a Arábia Saudita.

Para o professor de relações internacionais da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) Bruno Huberman, o 7 de outubro reorganizou as alianças políticas e militares da região. Segundo ele, o bloco pró-Estados Unidos deixou de existir como unidade após o rompimento entre Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos (EAU) na guerra contra o Irã. Na avaliação do professor, a Arábia Saudita tentou manter uma agressividade menos aberta, enquanto os EAU se juntaram a Israel para participar da agressão contra o Irã ao lado dos norte-americanos. Um dos resultados desse rompimento foi a saída dos Emirados da Organização dos Países Produtores de Petróleo (Opep), cartel que tem na Arábia Saudita sua principal liderança.

Huberman, que coordena o Grupo de Estudos de Conflitos Internacionais (Geci) da PUC-SP, também aponta fissuras na unidade dos países do Golfo, reunidos no Conselho de Cooperação do Golfo (CCG), formado por Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Omã e Arábia Saudita. Segundo ele, Omã se aproximou do Irã, e os demais países do Golfo estão sem clareza sobre se ficam mais próximos dos Emirados ou da Arábia Saudita.

Isabela Agostinelli dos Santos, Professor of International Relations at FECAP. Foto: Fecap/Divulgação
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O especialista do Observatório de Conflitos do Oriente Médio sustenta que a região passou de dois para três blocos de poder. De um lado, os ultra-aliados dos americanos, representados principalmente por Israel e Emirados Árabes Unidos. De outro, um bloco intermediário formado por Arábia Saudita, Paquistão e Turquia, que busca uma política de não alinhamento entre Estados Unidos, China e Rússia. O terceiro é o Eixo da Resistência, grupo de atores que se opõem à política de Israel e dos EUA na região, e que saiu enfraquecido do período.

Entre os motivos do enfraquecimento do Eixo da Resistência estão a queda de Assad na Síria e o enfraquecimento do Hezbollah, no Líbano. Na avaliação de Huberman, restou ao Irã a condição de única força estatal do eixo, enquanto as demais forças não estatais estão muito debilitadas, particularmente o Hamas.

Especialistas em Oriente Médio sustentam que o ataque do Hamas em 7 de outubro foi uma resposta do Eixo da Resistência aos chamados Acordos de Abraão, costurados por Israel e Estados Unidos para normalizar as relações de países árabes com Tel Aviv e afastar a exigência árabe por mudanças na situação dos palestinos. Huberman destaca que um acordo entre Israel e Arábia Saudita poderia consolidar o Corredor Econômico Índia-Oriente Médio-Europa (IMEC), anunciado em 9 de setembro de 2023, um mês antes do ataque. O corredor ligaria Índia, Emirados, Arábia Saudita, Israel e Grécia, permitindo à Europa reduzir a dependência da energia russa e das mercadorias chinesas, aproximando-se da energia árabe e dos produtos indianos.

O professor acrescenta que também contribuíram para a decisão do Hamas de atacar Israel o avanço da colonização israelense da Cisjordânia e de Jerusalém Oriental, territórios palestinos segundo o direito internacional. Segundo ele, o ataque foi uma resposta aos 70 anos de ocupação, a 100 anos de colonização e à escalada agressiva do atual governo Netanyahu desde sua posse.

Análise WeekNews: a leitura dos especialistas indica que o 7 de outubro não apenas deflagrou uma guerra, mas funcionou como divisor de águas nas alianças regionais. A substituição de um bloco pró-EUA unificado por três polos distintos sugere um Oriente Médio mais fragmentado e com margens de manobra mais estreitas para os países do Golfo, que agora precisam equilibrar suas posições entre Washington, Israel e Teerã.

Fonte: Agência Brasil.

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