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Três das 20 ararinhas-azuis que voltaram a voar na caatinga baiana em 2022, após duas décadas de extinção na natureza, foram mortas por aves de rapina da região. O balanço foi divulgado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que coordena o projeto de reintrodução da espécie. As mortes ocorreram entre os dois grupos soltos neste ano: o primeiro, com oito aves, foi libertado em junho; o segundo, com 12, em dezembro.
De acordo com o ICMBio, duas ararinhas do primeiro grupo foram mortas por predadores como o carcará e o falcão-de-coleira. A terceira ave, que fazia parte do segundo grupo, morreu poucos dias após ser solta, em 10 de dezembro, e o predador identificado foi o gavião-pernilongo. Além das três mortes, uma ararinha-azul do primeiro grupo está desaparecida, sem confirmação de óbito.
Apesar das perdas, a coordenadora executiva do Plano de Ação Nacional da Ararinha-Azul do ICMBio, Camile Lugarini, considera o projeto de soltura bem-sucedido até agora. Ela explica que todas as aves são equipadas com transmissores para monitoramento após a soltura, o que permite acompanhar seus deslocamentos e identificar possíveis ameaças.
O projeto de reintrodução começou a ser planejado há anos e, em 2020, conseguiu trazer ao Brasil mais de 50 ararinhas-azuis que viviam em cativeiro na Europa. Atualmente, na sede do projeto em Curaçá, na Bahia, há um grande viveiro com mais de 30 aves, que servem como reserva para futuras reintroduções e como reprodutoras. Essas aves também atraem para perto de si as ararinhas que estão soltas na natureza.
Para garantir uma população sustentável e viável na natureza, o ICMBio estima que seja necessário reintroduzir pelo menos 20 aves por ano nas próximas duas décadas, totalizando cerca de 400 ararinhas-azuis. O projeto conta com aves nascidas no cativeiro de Curaçá – onde já nasceram três filhotes – e em um criadouro em Minas Gerais, além da repatriação de animais mantidos em cativeiro na Alemanha.
Em janeiro de 2023, um novo grupo com 30 a 50 ararinhas-azuis deve chegar ao Brasil para se juntar às que já estão em Curaçá. A expectativa é que essas aves reforcem a população em cativeiro e contribuam para as próximas solturas.
O ICMBio ressalta que o monitoramento contínuo é essencial para entender o comportamento das aves na natureza e ajustar as estratégias de reintrodução. Apesar dos desafios impostos por predadores naturais, o projeto segue com o objetivo de restabelecer uma população selvagem de ararinhas-azuis na caatinga baiana.
Fonte: Agência Brasil.
