TSE julga se mantém ordem de Mendonça para derrubar posts sobre Nossa Senhora Aparecida

TSE julga se mantém ordem de Mendonça para derrubar posts sobre Nossa Senhora Aparecida
Fonte da imagem: Agência Brasil


O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) começou a julgar na manhã desta quarta-feira (30) se referenda a decisão do ministro André Mendonça que determinou a retirada da internet de publicações que associam o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) à suposta retirada do título de Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil. Até o momento, apenas Mendonça votou, pela manutenção da ordem. A sessão virtual está prevista para durar até as 23h59 desta quarta.

Faltam votar os ministros Dias Toffoli, Estela Aranha, Floriano de Azevedo Marques, Nunes Marques, Ricardo Villas Bôas Cueva e Sebastião Reis Júnior. Enquanto o plenário não conclui o julgamento, segue em vigor a liminar de Mendonça que determina a derrubada das publicações.

O caso chegou ao plenário do TSE após uma disputa de liminares que envolveu também os ministros Flávio Dino e Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF). No domingo (27), Dino suspendeu os efeitos da decisão de Mendonça, atendendo a pedido do humorista Antonio Tabet, que alegou ao STF ter sua liberdade de expressão cerceada. Na terça (29), Fux derrubou a decisão de Dino, a pedido da campanha de Flávio Bolsonaro, e determinou que o plenário do Supremo julgasse o caso.

O presidente do STF, ministro Edson Fachin, chegou a sinalizar a inclusão do tema na pauta desta quarta, mas recuou para permitir que a Justiça Eleitoral discutisse o assunto antes. Em seguida, o presidente do TSE marcou o julgamento sobre o referendo à decisão de Mendonça para uma sessão virtual de 24 horas.

Entre as postagens derrubadas está uma de Tabet, que publicou em rede social uma foto de imagem religiosa com a legenda: “a família miliciana odeia tanto mulher preta, que resolveu atacar Nossa Senhora Aparecida”. A publicação se insere no contexto de análises que circularam na internet na semana passada, segundo as quais grupos ligados a Flávio Bolsonaro, e o próprio candidato, teriam o plano de tirar o título de padroeira de Nossa Senhora Aparecida.

Flávio Bolsonaro acionou a Justiça Eleitoral alegando que a suposição é “inverídica” e equivale a “discurso de ódio e imputação de crime”. Na condição de ministro do TSE, Mendonça ordenou a retirada da postagem e de conteúdos semelhantes, sob pena de multa diária de R$ 30 mil.

No voto desta quarta, Mendonça manteve a determinação. Pela ordem, as plataformas de redes sociais ficam obrigadas a derrubar qualquer postagem “que apresente como fato a afirmação de que Flavio Nantes Bolsonaro ou sua família propôs, articulou, apoiou, está comprometido com ou pretende promover a retirada de Nossa Senhora Aparecida da condição ou do título de Padroeira do Brasil”.

O ministro rebateu alegações de Flávio Dino e críticas sobre a condução do caso, afirmando não haver em sua decisão nada que permitisse acusações de ataque à liberdade de expressão ou à liberdade religiosa. Mendonça defendeu que sua decisão tratou como fake news uma afirmação específica — a de que Flávio Bolsonaro teria como projeto a retirada do título de padroeira —, portanto passível de controle judicial.

“Os elementos apresentados indicavam que não existia projeto, declaração ou ato do candidato que dessem suporte fático à afirmação”, escreveu. O ministro também defendeu a segunda decisão, que determinou a remoção de outras publicações com a mesma afirmação que julgou falsa. “O que estava submetido à Justiça Eleitoral era a circulação, às vésperas do pleito, de uma afirmação factual concretamente falsa sobre a atuação de um candidato”, disse.

Mendonça afirmou ainda que, por se tratar de medida excepcional em matéria de liberdade de expressão, a aplicação das ordens pelos provedores deve observar interpretação estrita. Segundo ele, a equivalência substancial não pode ser presumida a partir de mera proximidade temática, identidade de personagens, referência a Nossa Senhora Aparecida, crítica à família do candidato ou abordagem do debate entre religião e política.

O ministro negou ter a intenção de impedir a crítica política ou cercear a liberdade religiosa e de expressão, e escreveu ser irresponsável imputar às decisões qualquer cerceamento à liberdade religiosa. “Nenhum dos pronunciamentos contém comando dessa natureza e, ademais, a trajetória acadêmica e jurisdicional deste julgador aponta precisamente em direção contrária”, afirmou.

Análise WeekNews: O julgamento no TSE ocorre em meio a uma sobreposição de decisões entre a Justiça Eleitoral e o STF, com liminares que se suspenderam mutuamente em poucos dias. A sessão virtual de 24 horas e o recuo de Fachin indicam uma tentativa de concentrar a discussão no TSE antes que o Supremo se pronuncie sobre o mérito. Na prática, a ordem de Mendonça continua válida até que o plenário conclua a votação, o que mantém as publicações fora do ar no período que antecede o pleito.

Fonte: Agência Brasil.

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