
World Soccer Talk.
A proposta do presidente da Fifa, Gianni Infantino, de abrir o capital da Copa do Mundo para investidores privados ganhou mais dois importantes opositores nesta semana. A Concacaf, confederação que reúne as federações da América do Norte, Central e Caribe, e a Federação de Futebol dos Estados Unidos (U.S. Soccer) formalizaram rejeição ao projeto, somando-se à Uefa, que já havia se manifestado contra a iniciativa. Com isso, o bloco contrário ao plano de Infantino passou a reunir 90 federações, o que reduz significativamente a margem de votos necessária para aprovar a proposta em um eventual congresso da entidade máxima do futebol.
O plano, batizado de Fifa Forward Enterprise (FFE), foi apresentado oficialmente nesta semana pela Fifa. Trata-se de uma nova empresa, separada da entidade, que ficaria responsável pela gestão comercial e operacional dos principais torneios da organização, incluindo a Copa do Mundo. A proposta prevê a venda de até 20% das ações da nova empresa a investidores privados, com valor de mercado estimado em cerca de US$ 20 bilhões.
A reação da Uefa foi imediata. As 55 federações filiadas à entidade europeia sinalizaram que podem boicotar as competições da Fifa, incluindo as futuras edições das Copas do Mundo masculina e feminina, caso o projeto seja aprovado. A ameaça foi feita de forma contundente, mas sem detalhar quais seriam os próximos passos caso a Fifa insista na proposta.
Nesta quinta-feira, foi a vez de a Concacaf divulgar uma nota dura contra o plano. A confederação, que representa 41 federações, mas tem apenas 35 com direito a voto na Fifa, afirmou que seus membros estão unidos “pelo amor ao nosso jogo” e se definiu como uma “organização fundada no serviço, na governança transparente e na gestão de longo prazo do futebol”. O comunicado ainda fez uma crítica direta à sede da Fifa, em Zurique: “A história já mostrou à Fifa e à família do futebol o que acontece quando os guardiões do jogo perdem de vista esses valores”.
A U.S. Soccer, por sua vez, divulgou uma declaração conjunta com a Concacaf e reforçou a posição em suas redes sociais. “A U.S. Soccer está ao lado da Concacaf e de seus membros”, publicou a federação americana em sua conta oficial no X (antigo Twitter). A entidade americana, no entanto, não chegou a ameaçar com boicote, como fez a Uefa.
Com a adesão da Concacaf e da U.S. Soccer, o bloco contrário ao FFE soma 90 federações. Para que o projeto seja aprovado, Infantino precisa de maioria simples, ou seja, 106 votos entre as 211 federações filiadas à Fifa. Para bloquear a proposta, a oposição precisa reunir pelo menos 15 votos adicionais entre as confederações que ainda não se manifestaram.
A distribuição de votos por confederação é a seguinte: Uefa (Europa) tem 55 votos; CAF (África), 54; AFC (Ásia), 46; Concacaf (América do Norte, Central e Caribe), 35; OFC (Oceania), 11; e Conmebol (América do Sul), 10. As confederações africana, asiática, da Oceania e sul-americana ainda não se posicionaram oficialmente sobre a proposta e são o foco das atenções para o desfecho da votação.
Apesar da oposição crescente, o projeto ainda pode ser aprovado se Infantino conseguir manter o apoio das demais confederações. A Fifa não divulgou quando a proposta será submetida à votação, nem detalhou como pretende conduzir o processo de convencimento das federações que ainda não se manifestaram.
A criação da FFE é vista por críticos como uma tentativa de atrair capital privado para os torneios da Fifa, em um momento em que a entidade busca ampliar suas receitas. No entanto, a proposta esbarra na resistência de confederações que temem perder o controle sobre a gestão do futebol mundial e a destinação dos recursos gerados pelas competições.
Enquanto isso, a pressão sobre Infantino aumenta. Além da oposição de Uefa, Concacaf e U.S. Soccer, a proposta também enfrenta críticas de torcedores e de especialistas em governança esportiva, que questionam a transparência e a necessidade de abrir o capital de um dos maiores eventos esportivos do planeta.
A expectativa agora é saber como as demais confederações vão se posicionar. A CAF, com 54 votos, é a segunda maior em número de federações e pode ser decisiva para o resultado. A AFC, com 46 votos, também tem peso importante. A OFC e a Conmebol, com 11 e 10 votos, respectivamente, completam o cenário.
Por enquanto, a Fifa não se manifestou oficialmente sobre as críticas e a oposição das confederações. A entidade também não informou se fará ajustes no projeto ou se manterá a proposta original.
O impasse promete marcar os próximos meses da gestão de Infantino, que já enfrentou outras polêmicas desde que assumiu a presidência da Fifa, em 2016. A decisão sobre o FFE pode ter impacto direto no futuro das competições da entidade e na relação entre a Fifa e as confederações regionais.
Leia mais aqui em inglês: https://worldsoccertalk.com/news/u-s-soccer-concacaf-join-uefa-in-opposing-gianni-infantinos-world-cup-investment-plan-costing-him-up-to-90-votes/.
Fonte: World Soccer Talk.
World Soccer Talk.
2026-07-30 18:04:00
