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O ex-paraquedista britânico Karl Bushby, de 57 anos, chegou à Inglaterra nesta semana após nadar pelo Canal da Mancha, procedente da França, como parte de uma expedição de volta ao mundo que começou em 1998. Segundo a BBC, ele levou cerca de 20 horas, distribuídas ao longo de três dias, para completar a travessia e alcançou a praia de Shakespeare Beach, perto de Dover, em 5 de outubro.
Ainda restam cerca de 400 quilômetros de caminhada até Hull, cidade portuária onde vive sua mãe, a quem não vê há 11 anos. A previsão é de que ele chegue ao destino no início de novembro. “Saí daquele lugar há 28 anos e é ali que vamos encerrar”, disse Bushby ao The Times of London.
A travessia do canal não estava nos planos iniciais. Bushby pretendia entrar na Inglaterra a pé pelo túnel de serviço do Eurotúnel, que liga França e Reino Unido, mas o pedido foi negado por questões de segurança e manutenção, segundo a BBC. Sem alternativa, ele nadou.
O veterano não havia treinado para esse trecho. À BBC, contou que, cerca de uma hora depois de entrar na água no primeiro dia, sentiu cãibras e passou a duvidar que conseguiria terminar. “Quando entrei na água naquele primeiro dia, pensei: ‘Será que mordi mais do que posso mastigar?'”, relatou. “Mas você busca forças. Continua em frente. Encontra um ritmo.” Durante as noites, disse que flutuar de costas e observar o céu estrelado o ajudava a desviar a atenção da dor física.
A expedição de Bushby soma mais de 48 mil quilômetros e passou por 29 países. Ele partiu do Chile em 1º de novembro de 1998 com duas regras: não usar nenhum meio de transporte — avião, trem, barco ou carro — para avançar no percurso e não voltar para Hull antes de concluí-lo. O trajeto atravessou a América do Sul de ponta a ponta, seguiu pela América do Norte e cruzou o Estreito de Bering entre o Alasca e a Rússia. Em 2006, ele atravessou o estreito congelado a pé e sobre o gelo ao lado do aventureiro franco-americano Dimitri Kieffer. Também percorreu a região do Darién Gap, entre o Panamá e a Colômbia, e, mais recentemente, nadou cerca de 296 quilômetros pelo Mar Cáspio antes de seguir para o oeste em direção à Europa.
Ao longo de quase três décadas, a jornada enfrentou atrasos provocados por restrições de visto, pela perda de patrocinadores durante a crise financeira de 2008, pelas medidas de isolamento da pandemia de covid-19 e por turbulências geopolíticas. Bushby começou a viagem com apenas 500 dólares e sem patrocinadores, sustentando-se ao longo dos anos com vendas de livros, palestras, doações e patrocínios corporativos. Segundo relatos, uma produtora de documentários também deu suporte à empreitada nos últimos 16 anos.
Análise WeekNews: a travessia do Canal da Mancha, feita sem treinamento específico e após a negativa de uso do túnel de serviço, ilustra como o percurso de Bushby foi sendo moldado menos por um plano rígido e mais pela necessidade de contornar obstáculos concretos — restrições de visto, crises econômicas, pandemias e decisões administrativas. O fato de a etapa final ainda depender de cerca de 400 quilômetros a pé até Hull reforça que o encerramento da expedição está definido por uma regra pessoal estabelecida em 1998, e não por um calendário externo.
Leia mais aqui em inglês: https://www.foxnews.com/travel/veteran-walked-across-four-continents-swam-english-channel-return-home.
Fonte: Fox News.
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2026-10-10 15:32:00
