Violência política atinge 134 casos na campanha de 2026 e mulheres são 52% das vítimas

Violência política atinge 134 casos na campanha de 2026 e mulheres são 52% das vítimas
Fonte da imagem: Agência Brasil


Levantamento das organizações de direitos humanos Terra de Direitos e Justiça Global registrou 134 episódios de violência política durante os 50 dias de campanha do primeiro turno das eleições de 2026, entre 16 de agosto e o último domingo (4). O número equivale a um caso a cada nove horas e representa alta em relação ao primeiro turno de 2022, quando foram contabilizados 121 episódios. A pesquisa, em sua quarta edição, aponta ainda que a violência política foi cinco vezes mais frequente do que no período sem disputa eleitoral, que teve média de uma ocorrência a cada 44 horas.

As mulheres foram as principais vítimas: 70 dos 134 casos (52,2%). Quando se consideram apenas os 102 episódios dirigidos a pessoas candidatas, elas somam 60 vítimas (58,8%), apesar de representarem cerca de um terço das candidaturas. Entre os 70 episódios contra mulheres, 45 envolveram machismo ou misoginia, nove racismo e cinco transfobia. As sete ameaças de violência sexual registradas tiveram mulheres como vítimas exclusivas.

A violência também teve recorte racial. Pessoas negras representaram 44,8% (60) de todas as vítimas. Entre as mulheres, 19 das 70 eram pretas, mais de uma em cada quatro.

A ameaça foi o tipo mais recorrente, com 64 casos, seguida por 33 episódios de ofensa e 19 de agressão física. Foram registrados ainda 11 atentados, cinco casos de criminalização e dois assassinatos — os dois homens, um vereador e um secretário municipal. Os dois assassinatos e dez dos 11 atentados tiveram homens como vítimas. Entre os 32 episódios de violência física (agressões, atentados e assassinatos), as mulheres foram alvo em 21,9% dos casos; entre os 97 de violência simbólica, que incluem ameaças e ofensas, em 61,9% (60 casos).

Os casos ocorreram majoritariamente nas ruas (71), embora o ambiente digital também tenha sido apontado como terreno de agressões sistemáticas. Os estados com mais ocorrências são São Paulo (16), Rio Grande do Norte (13), Minas Gerais (12) e Rio Grande do Sul (10). Quanto aos cargos visados, 54 episódios (40,3%) atingiram pessoas que disputavam ou exerciam cargos federais, e 48 (35,8%) cargos estaduais.

Em 26 episódios (19,4%), o autor identificado era agente público — pelo menos 14 parlamentares ou governantes e sete agentes de segurança. Nenhum dos 134 casos teve punição até o encerramento da coleta. Durante a campanha, ao menos oito casos receberam medidas de urgência, como remoção de vídeos, suspensão de perfis e concessão de medidas protetivas.

A coordenadora de Incidência Política da Terra de Direitos, Gisele Barbieri, afirmou que a violência política de gênero desqualifica e intimida mulheres e classificou o cenário como muito preocupante para a democracia brasileira. Ela defendeu uma força-tarefa do Estado para dar respostas mais rápidas e punições ágeis, com caráter pedagógico. A pesquisadora também destacou que o levantamento mapeia principalmente registros que chegam ao conhecimento público, o que indica subnotificação. “Existe essa subnotificação. Os casos muitas vezes não chegam à opinião pública por causa do medo”, disse.

A coordenadora da Justiça Global, Glaucia Marinho, afirmou que, enquanto os homens são atacados por sua atuação política, mulheres, pessoas negras e pessoas trans enfrentam também o racismo, o machismo e a transfobia que estruturam a sociedade brasileira.

As ameaças de morte e de violência sexual denunciadas nesta quinta-feira (8) pela deputada federal eleita Ana Elisa (PT-MG) ilustram o cenário descrito pelo levantamento.

Análise WeekNews: Os dados reunidos pelas duas organizações mostram que a violência política na campanha de 2026 superou a de 2022 e se concentrou de forma desproporcional em mulheres, que são cerca de um terço das candidaturas mas mais da metade das vítimas. O fato de nenhum dos 134 episódios ter sido punido até o fim da coleta, somado ao registro de que quase um quinto dos autores identificados é agente público, indica que as medidas de urgência adotadas durante a campanha interrompem episódios pontuais, mas não alcançam a responsabilização. A subnotificação apontada pela pesquisadora sugere que a dimensão real do problema pode ser maior do que a registrada.

Fonte: Agência Brasil.

Publicidade

Imperdivel!!!

Campeonato Brasileiro
Tabela do Campeonato Inglês (Premier League)
Tabela do Campeonato Espanhol (La Liga)
Tabela do Campeonato Alemão (Bundesliga)
Tabela do Campeonato Francês (Ligue 1)
Tabela do Campeonato Italiano (Serie A)