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O programa Viva Maria desta quinta-feira, 20 de agosto, celebra o aniversário de 137 anos de Cora Coralina, poeta e doceira nascida na cidade de Goiás. A data coincide com o Dia do Vizinho e o Dia do Cozinheiro, efemérides criadas pela própria escritora, que costumava dizer que o vizinho é o parente mais próximo e que seus doces eram mais importantes que seus versos. A edição especial do programa percorre a memória da autora, que viveu todas as vidas em uma única existência, e visita a Casa-Museu de Cora Coralina, em Goiás Velho.
Anna Lins de Guimarães Peixoto Bretas, que viria a ser conhecida como Cora Coralina, nasceu em 20 de agosto de 1889, na cidade de Goiás. Apesar de ter frequentado apenas a escola primária, a poetisa moldava versos com a mesma facilidade e simplicidade com que preparava doces cristalizados. Durante sete décadas, seus quitutes literários permaneceram guardados, até que, aos 75 anos, a doceira Aninha se transformou na poeta Cora Coralina, publicando seu primeiro livro.
A revelação da obra de Cora para o Brasil e o mundo veio por meio do poeta Carlos Drummond de Andrade. Quando Cora completou 90 anos, recebeu uma carta de Drummond repleta de elogios, na qual ele afirmou: “Aninha hoje não nos pertence, é patrimônio de todos nós que nascemos no Brasil e amamos a poesia.” A poeta, que definia a vida como “um mar de ondas violentas”, mas preferia o riso como definição, faleceu em abril de 1985, aos 95 anos, em Goiânia.
Cora Coralina deixou uma obra composta por sete livros: Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais, Meu Livro de Cordel, Estórias da Casa Velha da Ponte, O Tesouro da Casa Velha, Vintém de Cobre e dois livros infantis, Meninos Verdes e A Moeda de Ouro que o Pato Engoliu. Em seus versos, a autora expressava seu amor pela cidade de Goiás, chamada por ela de “minha cidade”, e se identificava com as ruas estreitas e a menina da Ponte da Lapa.
A visita à Casa-Museu de Cora Coralina, realizada em 2010 pelo programa Viva Maria, contou com a companhia da poeta de Xinguara, Kênia Silva, e da Dra. Lívia Martins, que conhece de perto os caminhos de Cora. A guia da visita apresentou a casa onde a escritora nasceu e passou a infância, além de detalhes de sua trajetória: em 1911, Cora foi para São Paulo; em 1925, casou-se com um advogado mineiro, com quem teve seis filhos, 15 netos e 30 bisnetos; e, após ficar viúva em 1934, retornou para a cidade de Goiás em 1956, dando início à atividade doceira que durou 14 anos.
Foi nesse período que Cora criou, em 20 de agosto, o Dia do Vizinho e o Dia do Cozinheiro, datas comemoradas na cidade de Goiás. A escritora justificava a escolha afirmando que o vizinho é o parente mais próximo e que o cozinheiro é a pessoa que prepara a nossa mesa. Na casa-museu, os visitantes podem ver os tachos de cobre onde Cora fazia seus doces, além de objetos pessoais e o ambiente onde ela recebia turistas, já na velhice, após uma queda que a fez usar muletas.
Durante a visita, Kênia Silva expressou sua emoção em estar na casa da poeta, conhecida por sua história de superação e pela doçura de seus versos. A Dra. Lívia Martins leu um trecho do poema “Minhas mãos doceiras”, do livro Meu Livro de Cordel, que fala das mãos laboriosas e abertas para dar, ajudar, unir e abençoar. Cora, que se definia como “doceira por convicção e necessidade”, dizia que imprimia sua personalidade nos doces, do início da manipulação da fruta até a embalagem.
A poeta começou a escrever aos 14 anos, mas só publicou seu primeiro livro aos 75. Os turistas que visitavam sua casa inicialmente iam em busca dos doces, e só depois passaram a procurá-la pelo valor literário, revelado por Drummond. Entre as frutas cristalizadas que fazia, o doce preferido de Cora era o de banana, uma inspiração para os admiradores de sua poesia e de sua história de vida.
Fonte: Agência Brasil.
