
NME.
A cantora sueca Zara Larsson informou aos fãs que não se apresentará no Grande Prêmio de Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, depois de receber uma série de pedidos para reconsiderar a participação por causa do papel do país no conflito civil sudanês. A artista estava escalada para dividir o palco com Lewis Capaldi em 3 de dezembro, como parte dos shows pós-corrida do Yasalam, no Etihad Live, na Ilha de Yas.
A decisão foi comunicada inicialmente em resposta a um comentário em rede social. Um fã pediu que ela se informasse sobre o que os Emirados Árabes Unidos estariam fazendo no Sudão e cancelasse a apresentação. Larsson respondeu de forma direta que não iria a Abu Dhabi. A mensagem foi posteriormente apagada, mas capturas de tela circularam.
Em seguida, a cantora detalhou a escolha e afirmou que ela não se baseia apenas em política. Segundo Larsson, ela deseja se apresentar e levar alegria e música a pessoas de todos os países, porque nenhuma pessoa representa seu governo. A artista disse já ter conhecido pessoas de diversas partes do mundo e afirmou acreditar nisso. Ela reconheceu que a primeira resposta pode ter parecido impulsiva, mas declarou ter pensado no assunto e decidido que não fazer o show é o que mais se alinha a ela neste momento, por diversos motivos pessoais além da política.
A pressão dos fãs ocorreu em um momento de maior debate sobre o impacto político de artistas. O material de referência cita o caso de Macklemore, retirado da turnê de Ed Sheeran após fazer um discurso pró-Palestina, como exemplo que evidenciou esse tipo de pressão.
O contexto invocado pelos fãs é a guerra civil no Sudão, descrita pela Organização das Nações Unidas como a pior crise humanitária do mundo. No mês anterior, a entidade observou que 13 milhões de pessoas foram deslocadas em meio a atrocidades generalizadas, incluindo assassinatos em massa, violência sexual, recrutamento de crianças, ataques a hospitais e ataques com drones a infraestrutura civil.
Os Emirados Árabes Unidos são acusados de envolvimento no conflito por financiar as Forças de Apoio Rápido (RSF), grupo paramilitar responsável pela morte de milhares de civis na região. A RSF é acusada de crimes contra a humanidade. Segundo relatório da Human Rights Watch, combatentes da RSF são treinados por uma empresa de segurança sediada em Abu Dhabi. O governo dos Emirados Árabes Unidos nega as acusações de envolvimento com o grupo.
Até o momento da publicação do material original, a Ticketmaster ainda listava Larsson ao lado de Capaldi para o show de dezembro, e a página Yasalam do Grande Prêmio de Abu Dhabi continuava a anunciá-la entre os artistas do fim de semana. A programação mais ampla inclui Imagine Dragons, The Chainsmokers e The Script, com apresentações ao longo do fim de semana da corrida.
Larsson também deu a entender que uma declaração mais formal sobre a situação poderia ser divulgada. A cantora é conhecida por enfrentar reações negativas por posições políticas. Ela já relatou que, após fazer uma piada sobre aborto no TikTok, uma marca retirou uma oferta de patrocínio milionária. Segundo ela, perdeu 3 milhões de dólares, o maior acordo de marca que já havia recebido, e reagiu dizendo que estava tudo bem.
Análise WeekNews: a saída de Larsson de um evento de grande visibilidade, anunciada primeiro em resposta a um fã e depois confirmada com justificativas pessoais e políticas, mostra como decisões de artistas passaram a ser cobradas publicamente em temas internacionais. O caso também expõe a distância entre a comunicação da artista e a divulgação oficial do evento, que, até o momento do material, ainda a listava na programação.
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Fonte: NME.
NME.
2026-09-20 05:30:00
