
O emplacamento de veículos no Brasil cresceu 10,17% em julho na comparação com o mesmo mês do ano passado, e 3,31% ante junho, totalizando 504.574 unidades vendidas. O número engloba automóveis, comerciais leves, ônibus, caminhões, motos e implementos rodoviários, como reboques e carrocerias. Segundo a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), o resultado fez de julho o terceiro melhor mês da história para o setor.
O presidente da Fenabrave, Arcelio Junior, atribuiu o desempenho ao bom momento vivido pelos segmentos de maior volume, especialmente no varejo de automóveis, comerciais leves e motocicletas. “Estamos vivendo um ano com resultados positivos nos segmentos de maior volume, principalmente, no varejo de automóveis, comerciais leves e motocicletas. Além do Programa Carro Sustentável, observamos que a demanda por mobilidade, renovação de frota e investimento permanecem, e a competição entre marcas continua favorecendo a oferta de mais produtos no mercado”, disse.
No recorte específico de automóveis e comerciais leves, o crescimento foi de 2,02% sobre junho e de 15,54% na comparação com julho de 2025, com 265.695 unidades vendidas. Para a Fenabrave, o desempenho é puxado principalmente pelo Programa Carro Sustentável, que reduz as alíquotas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para veículos mais leves e sustentáveis. Segundo a entidade, os modelos contemplados pelo programa registraram vendas 29,4% superiores ao período anterior à sua implementação.
O segmento de caminhões, que vinha acumulando quedas, apresentou reação em julho deste ano, com alta de 18,89% sobre junho e de 7,16% frente a julho do ano passado. Arcelio Junior explicou que a recuperação está ligada ao Programa Move Brasil, em suas etapas 1 e 2. “Por ser um segmento ligado ao PIB e desenvolvimento industrial e do agronegócio, o transportador avalia bem o mercado antes de comprar e acaba renovando sua frota quando enxerga demanda, capacidade de pagamento e segurança para assumir um financiamento de longo prazo”, afirmou.
Já o segmento de ônibus registrou pequeno crescimento de 4,26% em julho na comparação com junho, mas segue em queda na comparação anual, com retração de 2,32%. Segundo o presidente da Fenabrave, o resultado reflete a falta de programas governamentais específicos para o setor. “No início do ano, o segmento chegou a registrar retração de quase 25% em relação a 2025. A diferença caiu de forma gradual e consistente a partir do segundo bimestre, com a implantação da segunda fase do Move Brasil, que incluiu R$ 2 bilhões em crédito para financiar ônibus”, detalhou.
O setor de motocicletas também apresentou alta, com crescimento de 2,55% sobre junho e de 3,11% na comparação com julho do ano passado.
A Fenabrave mantém a expectativa de crescimento para o fechamento deste ano. A previsão da entidade é que o setor como um todo cresça cerca de 8,6% em 2026, com mais de 5,3 milhões de unidades comercializadas.
Os dados foram divulgados nesta terça-feira, 4 de agosto, pela Fenabrave, que reúne as associações estaduais de distribuidores de veículos. A entidade acompanha mensalmente os emplacamentos em todo o país e utiliza os números como termômetro do mercado automotivo brasileiro.
O resultado de julho reforça a trajetória positiva observada ao longo do ano, ainda que com ritmos distintos entre os segmentos. Enquanto automóveis, comerciais leves e motos puxam o crescimento, caminhões e ônibus dependem de programas de incentivo e de condições de financiamento para sustentar a recuperação.
A expectativa do setor é que a combinação de demanda aquecida, renovação de frota e linhas de crédito disponíveis mantenha o ritmo de crescimento até o fim do ano, consolidando 2026 como um período de expansão para o mercado de veículos no Brasil.
Fonte: Agência Brasil.
