
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) anunciou nesta quarta-feira (5) uma nova redução de 0,25 ponto percentual na Taxa Selic, que passa de 14,25% para 14% ao ano. Esta é a quarta vez consecutiva que o colegiado corta os juros básicos da economia brasileira, em decisão tomada durante reunião realizada na sede da instituição, em Brasília.
A Selic é o principal instrumento do BC para controlar a inflação. Quando a taxa está alta ou permanece elevada por um longo período, o crédito fica mais caro, impactando compras no cartão, parcelamentos de produtos e financiamentos imobiliários, o que tende a reduzir o consumo. Com a redução, a expectativa é de estímulo à atividade econômica e menor risco de descontrole nos preços.
Em nota, o BC afirmou que o ajuste gradual de menos 0,25 ponto é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta no próximo período. “Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego”, informou o órgão.
Sobre o cenário externo, o Copom voltou a mencionar a indefinição em relação aos conflitos armados no Oriente Médio e a incerteza quanto à política monetária em algumas economias avançadas. “Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities”, destacou o BC.
No âmbito doméstico, a autoridade monetária reforçou que os indicadores divulgados desde a última reunião “sugerem uma moderação gradual da atividade econômica, embora ainda em patamar resiliente, com sinais mistos entre setores, e mercado de trabalho aquecido”. O BC também observou que a inflação cheia desacelerou, mas ainda permanece acima do limite superior da meta, enquanto as medidas subjacentes caíram para um nível ligeiramente abaixo desse limite.
Dados recentes mostram que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) registrou variação de 0,06% em julho, ficando 0,35 ponto percentual abaixo da taxa de junho (0,41%). No acumulado do ano, o indicador subiu 3,51% e, em 12 meses, 4,52%, abaixo dos 4,80% observados nos 12 meses anteriores. Em julho de 2025, o IPCA-15 havia sido de 0,33%. O índice é medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A meta de inflação fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) para o período iniciado em janeiro de 2025 é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,50 ponto percentual para baixo e para cima, ou seja, entre 1,50% e 4,50%.
A trajetória recente da Selic inclui um período em que a taxa permaneceu em 15% ao ano, de junho de 2025 a março deste ano, o maior nível em quase duas décadas. O Copom iniciou o ciclo de cortes em março, em um contexto de queda da inflação. No entanto, a guerra no Oriente Médio, que elevou os preços de combustíveis e alimentos, tem dificultado a redução mais acelerada dos juros.
A decisão desta quarta-feira dá continuidade ao processo de afrouxamento monetário, mas o BC sinaliza cautela diante dos riscos externos e das incertezas que ainda cercam o cenário econômico global.
Fonte: Agência Brasil.
