
A Orquestra Ouro Preto (OOP) realiza, a partir desta sexta-feira (14), a quinta edição do Vale Festival em um cenário que já se tornou familiar para o grupo mineiro: a Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro. Até sábado (15), o Posto 2 receberá quatro concertos gratuitos, incluindo apresentações inéditas com os cantores e compositores Samuel Rosa e Alceu Valença, além de tributos a lendas do rock e a Luiz Gonzaga.
A relação da orquestra com a areia de Copacabana começou em edições anteriores do festival, quando o público acompanhou óperas baseadas em obras da literatura brasileira, como “Feliz Ano Velho”, “Auto da Compadecida” e “Hilda Furacão”, todas sob a regência do maestro Rodrigo Toffolo. Para ele, a presença em um dos cartões-postais mais famosos do mundo representa a consolidação de uma proposta artística que une música de concerto, literatura e cultura popular.
“É ter uma visão contemporânea da orquestra, que não é unicamente obrigada a olhar e tocar uma música do passado e é um patrimônio da humanidade. A música tem que ser tocada, sim, e a orquestra toca”, afirmou Toffolo em entrevista à Agência Brasil. O maestro destacou que, embora o repertório inclua composições de Mozart, Vivaldi, Villa-Lobos e Piazzolla, a orquestra também se dedica à música contemporânea. “Gosto muito de falar que a Orquestra Ouro Preto não é apenas uma guardiã do passado. Ela é isso e mais um pouco, que é exatamente a música contemporânea”, completou.
A programação desta sexta-feira começa às 19h30 com o tributo “Lendas do Rock”, que mescla rock e pop com sucessos de Queen, Metallica, Led Zeppelin e Pink Floyd. “É muito legal poder falar um pouco desse ambiente que, de certa forma, inspirou todos nós e o próprio Samuel. É a orquestra fazendo a abertura para ela mesma”, disse Toffolo.
Em seguida, às 20h30, será a vez da estreia do concerto especial com Samuel Rosa, primeira colaboração do ex-vocalista do Skank com a sonoridade da Orquestra Ouro Preto. O espetáculo foi criado especialmente para a ocasião e trará sucessos conhecidos do grande público, com arranjos que revelam novas camadas melódicas e harmônicas das canções. “Recebi o convite com muita empolgação. A orquestra já vem fazendo isso há muito tempo e agora chegou a minha vez”, disse Rosa, que se disse tranquilo por considerar que seu repertório aceita bem esse tipo de arranjo, inclusive com cordas.
O cantor também destacou a importância de se apresentar na praia. “O astral muda, é completamente diferente. Eu já toquei várias vezes na praia, Copacabana inclusive, e é sempre uma ocasião muito especial. Ali, é um show gratuito que as pessoas vão para escutar as músicas de que gostam”, afirmou. Para o público acostumado com sua música, a promessa é de uma experiência renovada. “Quando é bem feito como costuma ser com a Orquestra Ouro Preto, é bem legal. Estou indo com a minha banda completa, com naipe de metais. São músicas que escolhi já com a possibilidade de casarem bem com arranjos de orquestra”, adiantou.
O repertório de Samuel Rosa inclui momentos românticos como “Dois Rios”, “Ainda Gosto Dela”, “Te Ver” e “Balada do Amor Inabalável”; lirismo em “Acima do Sol”, “Canção Noturna” e “Tarde Vazia”; e sucessos dançantes como “Vamos Fugir”, “Vou Deixar” e “Lourinha Bombril”. A escolha do artista mineiro para abrir o festival, segundo Toffolo, também tem um simbolismo: mostrar que a música de Minas Gerais vai além do Clube da Esquina, formado por nomes como Milton Nascimento, Beto Guedes e Lô Borges, e inclui artistas como Fernanda Takai, do Pato Fu, e Rogério Flausino, do Jota Quest. O maestro lembrou ainda que o disco “Skank – MTV ao Vivo em Ouro Preto”, um marco na carreira de Samuel, foi gravado na cidade histórica, em um show na Praça Tiradentes do qual ele próprio participou.
No sábado (15), a programação começa às 19h30 com um concerto em homenagem a Luiz Gonzaga, o Gonzagão, também pernambucano como Alceu Valença. “Muito bom. Ele está presente também na minha música. Seu Luiz é uma grande figura, uma coisa maravilhosa”, disse Alceu. Toffolo lembrou que a ginasta Flávia Saraiva usou um trecho da gravação da orquestra tocando Gonzagão como trilha sonora em sua última apresentação de solo. “É um patrimônio brasileiro que saiu do campo popular. Luiz Gonzaga hoje está na questão da erudição da música brasileira. É algo de um estrelato diferente”, comentou.
Às 20h30, o público verá o reencontro da OOP com Alceu Valença, em um espetáculo que já percorreu o Brasil e a Europa e se tornou uma das parcerias mais longevas da música popular brasileira. A apresentação celebra os 80 anos do cantor, com ritmos nordestinos em novas camadas musicais para clássicos como “La Belle de Jour”, “Anunciação”, “Tropicana”, “Girassol”, “Como Dois Animais”, “Dia Branco” e “Táxi Lunar”. “Tem quase 15 anos que a gente lançou o primeiro concerto com Alceu. Nós inauguramos esse projeto em Copacabana com ele e voltamos agora, agregando a esse show os 80 anos de Alceu. Imagina um poeta maior como Alceu Valença com 80 anos em Copacabana, vamos cantar parabéns ali”, disse Toffolo.
“Eu adoro tocar com a Orquestra Ouro Preto, em cordas maravilhosas. As pessoas que fazem parte da orquestra têm um astral inigualável. Já estivemos em muitos cantos, no Recife, em São Paulo várias vezes, em Brasília, em Belo Horizonte. É uma loucura, muito bom. É um reencontro maravilhoso”, comentou Alceu. Para o maestro, a presença dos dois artistas no mesmo festival reforça a proposta de construir pontes entre repertórios e públicos distintos. “Estar em Copacabana com um colega mineiro, que é o Samuel Rosa, é muito importante, assim como com Alceu Valença, que é um parceiro de longa data”, afirmou.
O festival, que já se tornou tradição na agenda anual da orquestra, tem patrocínio da Vale, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet), o que permite a realização de concertos gratuitos em diversas regiões do país e no exterior. Para Mariana Luz, diretora de Investimento Social Privado e Cultura da Vale, o evento democratiza o acesso à música de concerto e promove a circulação da cultura, fortalecendo o desenvolvimento de territórios e a economia criativa. A parceria da OOP com a empresa também se estende ao projeto Vale Música, voltado à formação musical de crianças e jovens.
Fonte: Agência Brasil.
