
O aeroporto internacional de Catânia, na Sicília, permanecerá com as operações suspensas até o início da manhã deste sábado (15) por causa das cinzas vulcânicas expelidas pelo Monte Etna. A medida, anunciada pela operadora SAC, afeta principalmente os voos de chegada, que ficarão proibidos até as 2h (horário local) do dia 15 de agosto. A interrupção, que já dura mais de uma semana, levou ao cancelamento ou redirecionamento de centenas de voos e ocorre justamente no pico da temporada de férias de verão na Europa, quando milhares de turistas passam pela ilha.
De acordo com comunicado divulgado pela SAC, empresa que administra o aeroporto, todas as chegadas estão suspensas até o horário mencionado. Os passageiros que têm viagem marcada para Catânia foram orientados a entrar em contato com as companhias aéreas para verificar a situação de seus voos antes de se dirigirem ao terminal. A recomendação vale tanto para quem vai embarcar quanto para quem aguarda informações sobre desembarques, já que a malha aérea da região segue bastante desorganizada.
O fechamento prolongado do aeroporto, o quinto mais movimentado da Itália em número de passageiros, tem gerado transtornos adicionais para os viajantes. Com a paralisação das operações em Catânia, outros aeroportos da Sicília passaram a receber um fluxo maior de aeronaves e passageiros, o que elevou a pressão sobre a infraestrutura local. A situação é agravada pelo fato de a região estar em plena alta temporada, com hotéis e meios de transporte operando perto da capacidade máxima.
O Monte Etna, considerado o vulcão mais alto e mais ativo da Europa, é um velho conhecido dos problemas enfrentados pelo aeroporto de Catânia. Não é a primeira vez que a atividade vulcânica interrompe as operações no terminal, que fica localizado a poucos quilômetros do vulcão. No entanto, a atual interrupção é apontada como a mais grave das últimas duas décadas, segundo fontes da SAC citadas pela agência de notícias italiana Ansa.
Entre os dias 6 e 12 de agosto, cerca de 630 voos que tinham Catânia como destino foram desviados para outros aeroportos. No mesmo período, mais de um terço dos 1.974 voos programados para o aeroporto foram cancelados, de acordo com dados divulgados pela operadora. Os números refletem o impacto significativo da crise sobre a aviação civil na região, que já enfrentava desafios operacionais por causa da pandemia e da retomada do turismo.
A cinza vulcânica é considerada um dos maiores riscos para a aviação em todo o mundo. As partículas podem danificar sistemas eletrônicos das aeronaves, obstruir sensores e, em casos extremos, causar falhas nos motores a jato. Um dos episódios mais conhecidos envolvendo esse tipo de incidente ocorreu em 1982, quando um Boeing 747 da British Airways perdeu temporariamente a potência nos quatro motores após voar por uma nuvem de cinzas do Monte Galunggung, na Indonésia. A tripulação conseguiu reiniciar os motores e pousar em segurança, mas o caso se tornou um marco nos estudos sobre os perigos das cinzas vulcânicas para a aviação.
A SAC, responsável pela administração do aeroporto de Catânia, iniciou em maio deste ano o processo de venda de uma participação de pelo menos 51% da empresa. O movimento faz parte de um plano de privatização que vem sendo discutido há anos na Itália, com o objetivo de atrair investimentos para a modernização da infraestrutura aeroportuária do país. A atual crise, no entanto, pode afetar o interesse de potenciais compradores, que passam a avaliar com mais cautela os riscos operacionais associados à proximidade do Etna.
Enquanto as cinzas continuarem sendo expelidas pelo vulcão, a previsão é de que as operações no aeroporto de Catânia permaneçam instáveis. A SAC informou que continuará monitorando a situação e que novas atualizações serão divulgadas assim que houver mudanças nas condições meteorológicas e na atividade vulcânica. Passageiros que ainda pretendem viajar para a Sicília nos próximos dias devem ficar atentos às orientações das companhias aéreas e considerar a possibilidade de novos atrasos ou cancelamentos.
A interrupção prolongada também levanta preocupações sobre os impactos econômicos para a região, que depende fortemente do turismo. Com o aeroporto fechado, hotéis, restaurantes e agências de viagem locais já sentem os efeitos da queda no número de visitantes. Autoridades locais e representantes do setor turístico pedem uma solução de longo prazo para minimizar os transtornos causados pelas recorrentes erupções do Etna, que, apesar de fazerem parte da paisagem e da história da Sicília, representam um desafio constante para a infraestrutura da ilha.
Fonte: Agência Brasil.
