
Pelo menos 47 pessoas morreram após um terremoto de magnitude 7,7 na escala Richter atingir a costa leste da Indonésia neste sábado (15), segundo a Agência Nacional de Mitigação de Desastres (BNPB). Dezenas de tremores secundários foram registrados na região, e equipes de resgate ainda enfrentam dificuldades para acessar áreas isoladas por deslizamentos de terra e falhas nas comunicações.
O epicentro foi localizado a 15 quilômetros de profundidade, e o primeiro tremor foi registrado às 4h58 no horário local, de acordo com a agência geofísica indonésia BMKG. Ondas de tsunami com menos de 1 metro foram observadas em diversas áreas do país do Sudeste Asiático, mas o alerta foi suspenso cerca de três horas depois do evento.
Na cidade portuária de Maumere, principal centro da Regência de Sikka, na ilha de Flores, equipes de resgate encontraram 20 corpos, seis feridos e duas pessoas presas sob os escombros, informou Fathur Rahman, chefe da agência de resgate local. Em Talibura, uma vila em Nusa Tenggara Oriental, a moradora Nona, de 51 anos, relatou o momento do tremor: “O terremoto foi enorme, o tremor foi muito forte. Estávamos em 13 pessoas dentro de casa e todos corremos para nos salvar.”
A região de Nagekeo, mais próxima do epicentro, segue inacessível por terra, pois deslizamentos de terra bloquearam estradas e interromperam as comunicações móveis. Uma equipe tenta chegar ao local de balsa, segundo Fathur Rahman. Cerca de 2 mil moradores de Nagekeo foram retirados, e há relatos de danos a casas, armazéns e prédios governamentais, além de cortes de energia e congestionamento de trânsito em algumas áreas.
O governador de Nusa Tenggara Oriental, Emanuel Melkiades Laka Lena, afirmou em coletiva de imprensa que pelo menos cinco pessoas morreram quando prédios desabaram enquanto dormiam. Ele também alertou a população: “Não nos atrevamos a voltar para casa.” Siti Sulfia Bira, de 37 anos, que mora com a família perto do porto de Maumere, disse que correu para um terreno mais alto quando os tremores começaram e que ainda não se sente segura para retornar: “No momento, não nos atrevemos a voltar para casa ainda, porque a situação não está estável, ainda temos receio de que possam ocorrer mais tremores.”
Os dados preliminares da BNPB indicam que 157 casas sofreram danos graves, 41 danos moderados e 148 danos leves. Também foram registrados danos em 87 escolas, 18 unidades de saúde, cinco locais de culto e seis prédios de escritórios, além de outras infraestruturas. Imagens verificadas pela Reuters, filmadas em um porto em Maumere, mostram partes de um prédio desabado, transformado em pó e escombros, enquanto pessoas gritavam e corriam pela rua. Equipes de resgate procuravam sobreviventes sob um prédio portuário parcialmente destruído.
Tremores fortes foram sentidos em Nusa Tenggara Oriental, Nusa Tenggara Ocidental e em partes de Sulawesi do Sul, com moradores relatando abalos que duraram cerca de um minuto. A BNPB informou que a maioria das pessoas deixou suas casas correndo após o choque. Imagens da Kompas TV mostraram um hospital no distrito de Ende transferindo pacientes para a área externa, e o Kompas.com noticiou pelo menos um deslizamento de terra.
A BMKG lembrou que a mesma área foi atingida por um terremoto de magnitude 7,5 em 1992, que causou grande destruição. O centro de alerta de tsunamis da Austrália afirmou que o terremoto submarino não representa ameaça de tsunami para o continente australiano, ilhas ou territórios.
A Indonésia está localizada no Anel de Fogo do Pacífico, uma zona sismicamente ativa onde placas tectônicas se encontram, o que provoca terremotos e erupções vulcânicas frequentes. Em 2018, um terremoto de magnitude 7,5 seguido de tsunami atingiu a cidade de Palu, na ilha de Sulawesi, matando mais de 4 mil pessoas.
Fonte: Agência Brasil.
