
A confirmação de casos de febre do Nilo Ocidental no Brasil, incluindo uma morte em Santa Catarina, gerou alerta, mas o infectologista Furtado da Costa, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, afirma que não há motivo para pânico. Segundo ele, menos de 1% dos infectados desenvolve a forma grave da doença.
“Não há motivo para preocupação, mas é preciso mapear os casos e manter vigilância às aves e locais com mortalidade de aves fora do normal. Vamos aguardar os estudos e resultados, mas sabendo que não é só entrar em contato com aves que você vai pegar a doença”, disse o médico.
A febre do Nilo Ocidental é uma infecção viral aguda causada por um arbovírus, mesmo grupo da dengue, zika, chikungunya e febre amarela. A transmissão ocorre principalmente pela picada do mosquito do gênero Culex, como pernilongo ou muriçoca, que adquire o vírus ao se alimentar de aves infectadas.
A maioria das pessoas infectadas não apresenta sintomas. Estima-se que cerca de 20% desenvolvam manifestações clínicas, geralmente brandas, como febre, mal-estar, falta de apetite, náuseas, vômitos, dor de cabeça, dor muscular, dor nos olhos, manchas na pele e aumento dos gânglios linfáticos. Em casos mais graves, podem ocorrer confusão mental, rebaixamento do nível de consciência, tremores ou convulsões, além de encefalite, meningite ou outras alterações neurológicas, exigindo avaliação médica imediata e possível hospitalização.
O diagnóstico é feito por avaliação clínica e exames laboratoriais em pessoas com sintomas compatíveis e histórico de exposição a áreas com presença do mosquito. Não existe vacina nem tratamento antiviral específico; o controle é direcionado aos sintomas, com repouso, hidratação e acompanhamento médico. “Ainda não há estudo idealizando uma vacina para essa doença, que tem um número muito pequeno de casos pelo mundo, totalmente diferente de outras arboviroses com um número bem maior de casos como zika e dengue”, acrescentou Costa.
No estado de São Paulo, foram confirmados dois casos: uma mulher de 34 anos, moradora de Ribeirão Preto, que viajou recentemente para a região amazônica e já está curada, e uma adolescente de 18 anos, de São José do Rio Preto, que está internada sob cuidados médicos. É a primeira vez que o estado registra casos humanos da doença. “As equipes municipais e estaduais seguem atuando na investigação dos casos para identificar o local provável de infecção e orientar as medidas de prevenção”, afirmou Tatiana Lang D’Agostini, diretora do Centro de Vigilância Epidemiológica Prof. Alexandre Vranjac (CVE-SP).
O Ministério da Saúde confirmou ainda dois casos em Santa Catarina, com um óbito, e um caso provável no Piauí. A pasta mantém vigilância epidemiológica e laboratorial para identificar casos e possíveis áreas de transmissão.
Fonte: Agência Brasil.
