
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira (8) o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada. A decisão, de caráter preventivo, foi tomada no âmbito do caso Banco Master, do qual Mendonça é relator.
Na decisão, o ministro justificou a urgência da medida citando a “superlativa gravidade” e a “ilicitude” da divulgação de relatórios de inteligência da PF pelo ministro Alexandre de Moraes, também do STF. Mendonça afirmou que o episódio exige “providências imediatas” para evitar que “as prerrogativas da magistratura, da advocacia pública e da própria atividade policial continuem sendo vilipendiadas”.
O movimento ocorre depois que Moraes tornou público, na semana passada, um relatório da PF que sugere possível direcionamento das investigações do caso Master contra desafetos políticos de Mendonça. O documento, no entanto, não é assinado nem contém o cabeçalho da PF.
O caso Master também gerou outras movimentações no STF. O ministro Edson Fachin deu cinco dias para Mendonça e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, responderem a acusação feita por Moraes. Além disso, Moraes encaminhou a Fachin pedido de investigação contra Mendonça. O ministro afastado também sinalizou que pretende levar ao plenário da Corte os diálogos atribuídos a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e a Moraes.
Análise WeekNews: A decisão de Mendonça acentua o confronto institucional dentro do próprio STF e entre a Corte e a cúpula da Polícia Federal. Ao afastar os dois principais dirigentes da PF, o ministro age com base em sua avaliação sobre a gravidade da divulgação dos relatórios, mas a ausência de assinatura e cabeçalho no documento levanta questionamentos sobre a origem e a validade do material. O episódio tende a ampliar a tensão entre os ministros e a pressionar o plenário do STF a se manifestar sobre os limites das investigações e da atuação da PF.
Fonte: Agência Brasil.
