Audiência na Câmara vai discutir criação de Comissão da Verdade Indígena

Audiência na Câmara vai discutir criação de Comissão da Verdade Indígena
Fonte da imagem: Agência Brasil


A Câmara dos Deputados realizará uma audiência pública para debater a criação da Comissão da Verdade Indígena. O objetivo do encontro é avançar na proposta que busca apurar violações de direitos humanos cometidas contra povos originários durante a ditadura militar e outros períodos.

Dados citados em levantamentos mencionados na discussão indicam que, entre 1964 e 1985, cerca de 8.350 indígenas podem ter sido assassinados. O número foi obtido a partir de registros que somavam populações de grupos como Tapayuna, Parakanã, Araweté, Arara, Panará, Waimiri-atroari, Cinta-larga, Xetá, Yanomami e Xavante, que representavam 3,3% dos povos identificados na época. O Brasil reconhece oficialmente 305 povos indígenas, quantidade que tende a ser maior se considerados os grupos em isolamento.

A proposta de criação da comissão ganhou força após críticas ao relatório final da Comissão Nacional da Verdade (CNV), entregue em 2014. O documento original dedicou apenas 35 páginas às violações contra indígenas, o que foi considerado insuficiente por integrantes do Grupo de Trabalho (GT) Indígena da CNV. O jornalista Marcelo Zelic, morto em maio de 2023, foi uma das vozes mais ativas nessa cobrança. Ele apresentou o texto “Comissão Nacional da Verdade e Povos Indígenas: a um passo da omissão”, no qual denunciava a participação do Estado nas violências, muitas vezes cometidas por funcionários do Serviço de Proteção aos Índios (SPI), órgão que funcionou entre 1910 e 1967 e foi substituído pela Fundação Nacional do Índio (Funai).

Zelic defendia que a nova comissão tivesse uma coordenação-geral, equipe técnica e um colegiado formado por órgãos estatais, representações indígenas e entidades da sociedade civil. Ele também propôs a criação de uma rede de comissões da verdade indígenas, com casos concluídos encaminhados ao colegiado para abertura de processos. A ideia incluía incentivar que os próprios povos originários e universidades realizassem levantamentos sobre impactos territoriais, sociais, culturais e espirituais das violações.

A ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, afirmou que não é possível construir uma democracia verdadeira sem reconhecer as violências cometidas contra os indígenas. Ela defendeu o direito à memória e à verdade, a identificação de responsabilidades e a construção de políticas de reparação integral para que essas violações não se repitam.

Fonte: Agência Brasil.

Publicidade

Imperdivel!!!

Campeonato Brasileiro
Tabela do Campeonato Inglês (Premier League)
Tabela do Campeonato Espanhol (La Liga)
Tabela do Campeonato Alemão (Bundesliga)
Tabela do Campeonato Francês (Ligue 1)
Tabela do Campeonato Italiano (Serie A)