
Duas iniciativas que transformam resíduos descartados em soluções para problemas locais foram as grandes vencedoras da 4ª edição do Prêmio Escolas Sustentáveis, anunciada nesta quinta-feira (17) em cerimônia realizada em Salvador. O prêmio reconhece projetos de sustentabilidade desenvolvidos por professores e estudantes da educação básica em escolas públicas e privadas do país.
Na categoria que reúne projetos da educação infantil até os primeiros anos do ensino fundamental, a vencedora foi a Casa da Infância, escola privada de Salvador, com o projeto Infância, Sustentabilidade e Cidades Educadoras. A iniciativa promove um intercâmbio educativo e sustentável entre quatro escolas do Brasil e da Colômbia, com ações que incluem coleta de resíduos nos bairros próximos, compostagem, hortas escolares, reaproveitamento de materiais e mapeamento da biodiversidade.
As escolas participantes representam as duas nacionalidades e estão localizadas tanto em áreas urbanas quanto rurais. O projeto prevê encontros presenciais e virtuais, além de troca de cartas e conteúdos em português, espanhol e inglês. Segundo a gestora da Casa da Infância, Marília Dourado, os resultados incluem a abertura das crianças para dialogar com o diferente. “A gente percebeu as crianças muito abertas, inclusive com repertório de literatura, de questões raciais”, afirmou. Ela destacou ainda que o projeto já promoveu imersões na Caatinga, na Mata Atlântica e em comunidades tradicionais, além de seminários internacionais e visitas entre as escolas. De acordo com a instituição, cerca de 2 mil pessoas foram impactadas dentro e fora das escolas.
Na categoria que avalia experiências dos anos finais do ensino fundamental, ensino médio e Educação de Jovens e Adultos (EJA), o projeto premiado foi o EcoLuz Trap – Tecnologia de Baixo Custo contra Vetores de Doenças na Amazônia, desenvolvido por estudantes do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará (IFPA), do Campus Marabá Industrial, em Marabá (PA).
Os alunos criaram uma armadilha luminosa de baixo custo para reduzir a presença de mosquitos vetores de doenças, sem uso de inseticidas. A tecnologia utiliza materiais reaproveitados, como latas, fios e componentes eletrônicos, o que a torna acessível e replicável. A estrutura externa é feita com uma lata de leite, tela na parte inferior, pés de tampas de garrafa e fonte de 12 volts de aparelhos descartados, além de um pequeno ventilador e lâmpadas.
O professor Ríguel Contente, que conduziu o projeto, contou que a proposta partiu de uma conversa em sala de aula sobre a presença de mosquitos nas casas dos estudantes. “A maior parte mora em áreas periféricas e, aqui em Marabá é muito quente. As pessoas têm que abrir a janela à noite, tem todo aquele incômodo da presença de muito mosquito na residência”, relatou. A partir do diagnóstico, os alunos construíram protótipos, testaram diferentes cores de LED e identificaram os insetos capturados. Segundo o professor, a iniciativa aproximou os estudantes da ciência e da tecnologia, com experiências em estatística, gráficos e zoologia. De acordo com a instituição, a proposta alcançou cerca de 3,5 mil pessoas.
Ao todo, dez projetos foram finalistas desta edição. Além do prêmio em dinheiro, as escolas campeãs seguem para a etapa internacional da competição, que ocorrerá na Cidade do México, em 2 de dezembro. O prêmio é uma iniciativa da Fundação Santillana, da Santillana e da Organização de Estados Ibero-americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OIE). Para o diretor executivo da Fundação Santillana no Brasil, Luciano Monteiro, a premiação tem a missão de valorizar o que as escolas fazem em favor da sustentabilidade. “Sustentabilidade é algo que acontece perto de nós também. Isso acontece quando estudantes, professores, crianças, olham situações da sua comunidade e pensam em estratégias para corrigi-las”, explicou. O site do prêmio reúne um repositório dessas boas práticas para que outras escolas possam conhecer, replicar e adequar as tecnologias à sua realidade.
Análise WeekNews: Os dois projetos premiados compartilham um traço comum: partem de problemas concretos do entorno das escolas e utilizam materiais descartados como matéria-prima. A escolha de soluções replicáveis, como a armadilha de baixo custo e as práticas de compostagem e horta, sugere que o prêmio valoriza menos a sofisticação tecnológica e mais a capacidade de adaptação a diferentes realidades. A etapa internacional na Cidade do México, em dezembro, amplia a visibilidade dessas iniciativas e indica que o modelo pode servir de referência para outras escolas brasileiras.
Fonte: Agência Brasil.
