Trump rejeita regulação global da IA e propõe renomear tecnologia como superinteligência

Trump rejeita regulação global da IA e propõe renomear tecnologia como superinteligência
Fonte da imagem: Agência Brasil


Em discurso na abertura da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), nesta quarta-feira (22), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rejeitou iniciativas internacionais de regulação e governança da Inteligência Artificial (IA) e defendeu que o país não vai limitar o desenvolvimento da tecnologia.

“Os Estados Unidos também rejeitam totalmente qualquer tentativa de criar um esquema globalista para controlar a inteligência artificial”, afirmou Trump na sede da ONU, em Nova York.

O presidente americano disse ainda que pretende mudar o nome da tecnologia para “superinteligência”. “Daqui para frente, será oficialmente chamada de superinteligência. Mudamos o nome porque o uso da palavra ‘artificial’ faz a inteligência parecer falsa”, declarou.

Trump também afirmou que os EUA mantêm vantagem na corrida tecnológica e que não pretende frear o setor. “No momento, estamos muito à frente da China e de todos os outros. E vamos manter essa vantagem. Vamos manter uma postura firme e decidida. Não vou sufocar o crescimento de algo que será maior do que a Revolução Industrial”, disse.

O posicionamento ocorre em meio à disputa entre China e Estados Unidos por influência sobre a cadeia produtiva da IA. A iniciativa de Washington prevê um sistema com “parceiros confiáveis” para controlar o desenvolvimento da tecnologia, enquanto a proposta liderada por Pequim convoca todas as nações a participar da governança por meio de sistemas de códigos abertos, que permitem a apropriação da tecnologia por qualquer empresa ou organização.

Segundo Ettore Arpini, especialista em governança de IA e fundador da organização Plures, a posição de Trump se opõe a diversas iniciativas, inclusive na ONU, com o objetivo de deixar as empresas sem regulação alguma. “Isso é totalmente contrário ao movimento de outros países de formar uma aliança de potências médias para colaborarem, para trazerem de novo um multilateralismo e criarem um modelo de governança e de regulamentações internacionais para IA”, comentou à Agência Brasil.

Arpini também criticou a proposta de rebatizar a tecnologia. Para ele, chamar a IA de superinteligência pode mais confundir do que ajudar e favorecer a posição dos EUA na corrida pelo controle global. “Tem uma dimensão política também, porque em Washington tem uma narrativa de que os Estados Unidos liderem a IA. Chamar a AI de superinteligência também ajuda a construir essa narrativa que favorece os EUA”, afirmou.

O especialista defende que o debate não deve se concentrar na definição do termo. “Isso pode até nos distrair. O que importa é quais capacidades esses sistemas têm, quão autônomos eles são, quem os governa e quais consequências produzem sobre a sociedade – e quais países estão se preparando”, finalizou.

O discurso de Trump acontece uma semana depois de líderes da indústria de IA nos Estados Unidos defenderem uma desaceleração no ritmo de desenvolvimento dos modelos mais avançados, que estariam evoluindo mais rapidamente do que os mecanismos de controle e segurança. Economistas também têm apontado uma possível “bolha” no setor devido ao elevado nível de investimentos e às dúvidas sobre a capacidade de retorno desses recursos, o que poderia gerar crises financeiras com repercussões na economia global.

“A intensa competição aumenta o risco de as empresas alocarem recursos em excesso a projetos de investimento com retornos ainda incertos, tornando todas as empresas vulneráveis a decepções nos resultados da IA”, diz informe do Banco de Compensações Internacionais (BIS).

Analistas críticos da IA, como o cientista brasileiro Miguel Nicolelis, apontam que o termo “inteligência” aplicado à IA é uma metáfora ou estratégia de marketing para sugerir que a tecnologia possui capacidades humanas que, na realidade, os sistemas não dominam, o que valorizaria os serviços vendidos pelas gigantes do setor.

Análise WeekNews: A recusa de Trump a mecanismos globais de governança da IA contrasta com a movimentação de outros países, que buscam construir modelos multilaterais de regulação. Ao mesmo tempo, a proposta de rebatizar a tecnologia como “superinteligência” tem efeito simbólico na disputa por narrativa entre Washington e Pequim, sem alterar as capacidades técnicas dos sistemas. O alerta do BIS sobre excesso de investimentos e retornos incertos indica que a discussão sobre limites ao setor não se restringe à geopolítica, mas envolve também riscos financeiros apontados por instituições econômicas.

Fonte: Agência Brasil.

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