
Cinco estudantes brasileiros representam o país na 19ª Olimpíada Internacional de Astronomia e Astrofísica (IOAA), que começa nesta sexta-feira (25) em Hanói, no Vietnã. A competição reúne 67 equipes inscritas de todas as regiões do mundo, e os brasileiros embarcam com o objetivo de trocar experiências com jovens de diferentes idiomas e formações.
A delegação tem quatro representantes do Ceará e um do Pará. De Fortaleza vêm Biatriz Silva, de 17 anos, Jailson Henrique Godeiro Neto, de 17, Arthur Alencar Spuri, de 16, e Isaac Victor de Araújo Santos, de 16. O quinto integrante é Eyke Cardoso de Souza Torres, de 17 anos, de Ourilândia do Norte (PA). Biatriz é a única menina do grupo.
Moradora do bairro do Pici, na periferia de Fortaleza, Biatriz cursa o terceiro ano do ensino médio e foi medalha de ouro na Olimpíada Brasileira de Astronomia em 2023. A conquista, quando ainda estudava em escola pública, rendeu a ela uma bolsa em uma escola com preparação especial para o ingresso no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). Ela pretende cursar engenharia, possivelmente aeroespacial.
O interesse pela astronomia começou em casa, ao lado do pai, Carlos, vendedor de móveis, e da mãe, Leidiana, dona de casa, que a ensinaram a observar as estrelas. “Eu tenho um caderno exclusivo onde estão anotadas mais de 380 estrelas e eu decoro também as posições”, contou a estudante. Entre tantas estrelas, sua preferida é Alchiba, da constelação do Corvo, a cerca de 49 anos-luz da Terra. “É porque o Corvo fica numa localização muito boa. É a estrela alfa e era a mais brilhante.”
A vaga na competição internacional foi disputada com cerca de 300 estudantes do país. “Foi árduo, mas é muito gratificante”, disse Biatriz. A rotina de estudos, segundo ela, é disciplinada, mas não a impede de se divertir com os amigos nem de manter o hábito de desenhar.
O processo seletivo brasileiro é promovido pela Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica. Estudantes do ensino médio precisam obter nota igual ou superior a 7 na prova da OBA do ano anterior; alunos do 9º ano do ensino fundamental devem alcançar nota igual ou superior a 9. Os classificados passam por três provas on-line em níveis avançados, e 45 estudantes são selecionados para treinamentos intensivos e avaliações presenciais. Ao final, são definidos os cinco representantes do país.
No Vietnã, os brasileiros enfrentarão quatro provas que envolvem conhecimentos teóricos, análise de dados, telescópio e planetário. Biatriz retorna ao Brasil no dia 6. Para Eyke Torres, a participação tem significado que ultrapassa a competição: “É uma experiência que eu vou levar para minha vida toda. É muito gratificante ter essa oportunidade, principalmente pelos desafios que envolveram chegar até aqui”.
Análise WeekNews: A presença de cinco brasileiros em uma competição com 67 equipes internacionais, incluindo uma estudante de escola pública da periferia de Fortaleza, indica que o sistema de seleção da OBA consegue identificar talentos fora dos circuitos tradicionais de ensino. O fato de Biatriz ter conquistado uma bolsa em escola preparatória para o ITA a partir do desempenho na olimpíada nacional sugere que o desempenho em competições científicas pode abrir caminhos concretos de formação, ainda que o percurso até a vaga internacional envolva etapas eliminatórias e treinamentos intensivos.
Fonte: Agência Brasil.
