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Kurt Vile comentou a participação surpresa que fez com o Fontaines D.C. durante o festival La Route Du Rock, na França, quando subiu ao palco com a banda irlandesa para tocar ‘Roman Holiday’ — faixa que, segundo os próprios integrantes, foi inspirada nele. O músico contou que a aproximação começou antes, quando as duas bandas dividiram um festival na França e a equipe do Fontaines D.C. o convidou para a apresentação.
“Por um instante pensei: ‘Ah, cara, acabei de sair do palco’, mas o tempo passou e logo fiquei animado com a ideia de tocar de novo”, disse. Ele lembrou ainda que ouviu o nome da banda pela primeira vez em um álbum tributo ao primeiro disco do Velvet Underground, de 2021, ‘I’ll Be Your Mirror’.
No backstage, o vocalista Grian Chatten contou a Vile que a música era inspirada nele. “Eu respondi: ‘Tudo bem, cara! Vou levar minha melhor guitarra, minha Gretsch do Travis Good, do The Sadies, e vou arrasar no que for'”, relatou. Vile afirmou que, até hoje, não tem certeza de como influenciou a faixa, mas classificou a experiência como muito divertida e disse que toparia repetir a parceria.
O músico também falou sobre a volta de ‘Philadelphia’s Been Good To Me’ à sua cidade natal, em um show ao ar livre. Segundo ele, foi a primeira vez que tocou em um espaço aberto desse tipo na Filadélfia — ele já havia visto o The War On Drugs, banda da qual foi membro fundador até 2008, se apresentar no mesmo tipo de local na turnê de ‘A Deeper Understanding’.
Vile citou a canção ‘You Don’t Know Cuz It’s My Life’, que traz a linha sobre ser da Filadélfia e ter heróis como Neil Young e Bruce Springsteen, que escreveram músicas sobre a cidade sem serem de lá. “Neil é meu Deus. Bruce foi meu Deus muitas vezes quando eu era mais jovem, mas nenhum dos dois é de lá”, afirmou.
Ele descreveu o que o mantém ligado à cidade: a família grande — é um de dez irmãos — e os caminhos que percorre pelas avenidas antigas. Vile mencionou locais como a Philadelphia Brewing Company, onde trabalhou, e os estúdios onde gravou com Adam Granduciel entre 2003 e 2007. Segundo ele, ‘Childish Prodigy’, de 2009, e ‘Slave Ambient’, do The War On Drugs, de 2011, foram registrados na mesma máquina de fita que comprou de Jeff Zeigler. “Gosto de reunir todos esses fantasmas antigos e mantê-los por perto. É quase como rap. Estou chamando a minha zona”, comparou.
Sobre ‘Chance To Bleed’, faixa em que relembra as noites de rock lo-fi e DIY da Filadélfia, Vile disse que a música soa como algo rockabilly, no estilo de Jerry Lee Lewis, e evoca as gravações em seu pequeno apartamento em Northern Liberties e na casa de Granduciel em Fishtown. “Foram tantas noites selvagens até de manhã. Não mudou muita coisa, exceto que nos primeiros tempos estávamos famintos, equilibrando empregos e tentando descobrir tudo. Era uma corrida. Essa foi a nossa década dos 20 anos”, contou.
Vile também reagiu ao elogio feito por Sam Fender na faixa ‘Arm’s Length’, do álbum ‘People Watching’, vencedor do Mercury Prize de 2025 e que teve produção de Granduciel. No trecho, Fender diz que o riff “soa como uma coisa do Kurt Vile”. “Isso é demais! Ouvi dizer que ele é fã, é muito legal. Ainda não o conheci”, disse. Ele acrescentou que sentiu algo parecido com o Fontaines D.C.: “Ver esses garotos fazendo o que fazem e as pessoas indo à loucura, e saber que são fãs da minha música? Isso é ótimo”.
Questionado sobre o impacto de sua cena de guitarra da Filadélfia em bandas modernas, Vile disse que quer retribuir à cidade. Ele citou o trabalho de Connor Barwin, do Philadelphia Eagles, à frente da Make The World Better Foundation, e afirmou que pretende se organizar mais para ajudar sua região. “De baixo para cima, cara. Começar local, por todos os motivos positivos”, declarou.
Sobre o futuro, o músico disse que pretende continuar fazendo álbuns tradicionais, mas que também pensa em projetos paralelos. “O arquivo é vasto. Sentar com o material antigo e lançar compilações soa muito legal”, afirmou. Ele descreveu sua rotina como um ciclo de foco em uma coisa de cada vez, até entrar na zona, e depois resetar para ser um bom pai e homem de família. “Sempre limpo minha zona antes de sair, para voltar renovado”, disse.
‘Philadelphia’s Been Good To Me’ foi lançado pela Verve Records. A turnê norte-americana de Kurt Vile em 2026 passa por cidades como Buffalo, Columbus, Louisville, St. Louis, Milwaukee, Des Moines, Lawrence, Omaha, Fort Collins, Denver, Fayetteville, Memphis, Nova Orleans, Athens, Charleston, Charlotte, Richmond e Baltimore, entre novembro e o fim do mesmo mês.
Análise WeekNews: A entrevista reúne três frentes que se conectam pela mesma cena musical. De um lado, o reconhecimento público de artistas mais jovens, como Fontaines D.C. e Sam Fender, em relação à influência de Vile e do som de guitarra da Filadélfia. De outro, a ligação com Adam Granduciel, ex-parceiro de gravações e fundador do The War On Drugs, que produziu o álbum de Fender e mantém trabalhos próprios em Los Angeles. O disco novo de Vile, centrado na cidade natal, funciona como eixo dessa rede: ele retoma lugares, gravações e memórias que ajudaram a formar o som que hoje aparece citado por nomes de destaque da guitarra contemporânea.
Fonte: NME.
NME.
2026-09-23 04:58:00
