Dino aciona PF para investigar atuação da CVM na fiscalização de fundos do Banco Master

Dino aciona PF para investigar atuação da CVM na fiscalização de fundos do Banco Master
Fonte da imagem: Agência Brasil


O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quinta-feira (24) que a Polícia Federal instaure um inquérito para apurar possíveis crimes na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) relacionados à fiscalização de fundos ligados ao extinto Banco Master. A CVM é o órgão responsável pela supervisão do mercado de capitais.

Na decisão, Dino afirmou haver indícios que configuram o dever legal de apuração de eventuais ilícitos ligados à atuação funcional de agentes públicos da autarquia, além da participação de autoridades de alto escalão que teriam influenciado processos decisórios na CVM.

O ministro citou uma denúncia encaminhada à CVM em fevereiro de 2022 com informações detalhadas sobre a possível falta de liquidez do Grupo Master. O processo foi sumariamente arquivado pelo órgão sob a alegação de falta de elementos para prosseguir com a apuração.

Entre os pontos apresentados na denúncia estavam inconsistências em demonstrações contábeis, manipulação das cotações de fundos abertos, reavaliação de ativos deteriorados mantidos em fundos fechados e uso de recursos captados com cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para adquirir ativos de baixa liquidez.

A denúncia foi enviada à CVM pelo FGC, que recebeu as informações por meio de comunicação anônima. Segundo o relato, o Master estaria vendendo ativos sem liquidez na expectativa de que os pagamentos acabassem sendo arcados pelo FGC, o que de fato ocorreu anos depois. Mais de R$ 3 bilhões, de um total de aproximadamente R$ 5 bilhões captados com cobertura do FGC, estariam alocados em ativos sem liquidez ou de reduzida qualidade.

Dino observou, com base em relatório da Transparência Internacional – Brasil, que nenhuma providência de apuração foi tomada pela CVM antes do arquivamento. A entidade apontou ainda que o processo foi submetido a um regime de sigilo capaz de impedir o acesso de outras unidades de supervisão ou fiscalização.

O ministro também mencionou fatos relacionados à concessão de serviços funerários ao Grupo Master pela prefeitura de São Paulo. Uma investigação administrativa chegou a ser instaurada na CVM para apurar irregularidades no fundo responsável pelo pagamento da concessão, mas foi arquivada após o órgão aprovar um acordo de R$ 2,9 bilhões.

Para Dino, o arquivamento indica atos que ultrapassam simples falhas operacionais ou deficiências regulatórias e recomendam apuração específica sobre a eventual prática de ilícitos penais e administrativos no âmbito da CVM. O ministro destacou ainda que os elementos reunidos apontam possível participação de pessoas sujeitas à jurisdição penal originária do STF, o que reforça a necessidade de acompanhamento direto das investigações pelo tribunal. Dino é relator de uma arguição de descumprimento de preceito fundamental (ADPF) sobre o tema.

No início desta semana, o ministro já havia determinado que a União promovesse, no prazo de 90 dias, a avaliação técnica e a reapreciação das regras normativas da CVM.

Análise WeekNews: A decisão de Dino amplia o escopo do caso Master para além da atuação do banco, colocando sob investigação o próprio órgão regulador do mercado de capitais. Ao citar a existência de pessoas com foro privilegiado entre os possíveis envolvidos, o ministro sinaliza que a apuração pode alcançar autoridades fora da esfera administrativa da CVM. A determinação de revisão das normas da autarquia, feita dias antes, indica que o STF acompanha o caso em duas frentes: a responsabilização por fatos passados e a alteração de regras para o futuro.

Fonte: Agência Brasil.

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