Entidades pedem ao STF para integrar ação sobre internet gratuita nas eleições


Um grupo de 12 entidades da sociedade civil solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) ingresso como amici curiae em uma ação que busca garantir acesso à internet móvel para todos os brasileiros, independentemente do limite da franquia de dados, nas 72 horas que antecedem as eleições. O pedido foi apresentado no âmbito do processo que tem como relator o ministro Cristiano Zanin.

Se aceitas como amici curiae, as entidades podem apresentar informações técnicas, científicas e dados para esclarecer pontos do processo. Não podem, no entanto, fazer pedidos ao relator nem apresentar recursos quanto ao mérito.

O grupo contesta o argumento da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), que afirmou no processo que a liberação irrestrita do acesso à internet móvel durante as eleições pode provocar picos de tráfego capazes de interromper a conectividade em aparelhos celulares, especialmente perto de zonas eleitorais. Segundo as entidades, a agência não apresentou o real impacto de universalizar o acesso.

“A manifestação da Anatel […] não apresenta, de modo individualizado para cada pedido cautelar, estimativa de quantos usuários estariam com a franquia esgotada durante a janela eleitoral, qual tráfego adicional efetivamente gerariam, onde esse tráfego se concentraria e quais medidas operacionais poderiam mitigar os riscos identificados”, afirmam as entidades à Justiça.

Assinaram o pedido Sleeping Giants Brasil, Intervozes, Instituto Nupef, Coletivo Digital, Data Labe, Diracom – Direito à Comunicação e Democracia, CTRL+Z, Instituto Bem Estar Brasil (IBEBrasil), Instituto de Referência em Internet e Sociedade (IRIS), Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Instituto Brasileiro de Políticas Digitais – Mutirão e Teia de Criadores.

As entidades também citaram exemplos europeus sobre o tema, entre eles um estudo sobre a investigação aberta pela Comissão Europeia a respeito de riscos relacionados ao TikTok nas eleições presidenciais da Romênia em 2024.

A ação foi proposta pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) e pelo Partido Verde (PV), com o objetivo de assegurar o acesso de todos à informação divulgada pela imprensa profissional e aos mecanismos de busca. A iniciativa busca ainda impedir que o cidadão tenha acesso apenas a ambientes como WhatsApp e Instagram que, a depender do plano contratado, não consomem dados e são frequentemente usados para compartilhamento de conteúdos políticos com desinformação. Os mais afetados, nesse cenário, são os mais pobres.

CNTE e PV integram o movimento Democracia Sem Franquia, formado por 19 entidades da sociedade civil e nascido de estudos do Sleeping Giants Brasil sobre acesso desigual à internet. O levantamento aponta que 64,1 milhões de brasileiros adultos conectados, cerca de um em cada três, passam pelo menos um dia por mês sem franquia de dados, e 29,5 milhões ficam oito dias ou mais nessa situação. O Sleeping Giants Brasil surgiu em 2020, durante a pandemia, inspirado na versão norte-americana criada em 2016, com o objetivo de combater a desinformação e o discurso de ódio nas plataformas digitais.

Na noite desta quarta-feira, o relator da ação, ministro Cristiano Zanin, autorizou que pessoas com franquia de dados esgotada tenham acesso gratuito aos sites da Justiça Eleitoral durante os dois turnos das eleições. Pela decisão, o acesso gratuito deverá ser liberado pelas operadoras 72 horas antes dos turnos e 24 horas após a votação. O mérito da questão ainda será apreciado pelo plenário da Corte.

Análise WeekNews: A decisão de Zanin atende parcialmente ao pedido da ação, ao garantir acesso gratuito apenas aos sites da Justiça Eleitoral, e não a toda a internet móvel como querem CNTE e PV. O ingresso das 12 entidades como amici curiae, se aceito, pode reforçar o debate técnico sobre o impacto real da liberação irrestrita, tema sobre o qual a Anatel e o grupo divergem. Como o mérito ainda será analisado pelo plenário, a extensão do acesso gratuito nas eleições permanece em aberto.

Fonte: Agência Brasil.

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