
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) realizou nesta sexta-feira (30), na sede da B3, em São Paulo, o último leilão do ano para projetos de transmissão de energia. O certame negociou oito lotes e prevê investimentos de R$ 8,9 bilhões, com estimativa de mais de 20,3 mil empregos diretos e indiretos.
Ao todo, foram leiloados 1.866 quilômetros de novas linhas de transmissão e seccionamentos, além da continuidade de 483 km de linhas existentes e de 12.694 megavolt-amperes (MVA) em capacidade de transformação.
A disputa mais longa ocorreu no lote 1, com instalações na Bahia. Após a apresentação das propostas em papel por cinco empresas, o lote foi levado à etapa de viva-voz, da qual participaram apenas Neoenergia e Tradetek Soluções em Iluminação Pública e Infraestrutura, que haviam feito as melhores ofertas na fase anterior. Depois de 150 lances, a Neoenergia venceu com proposta de R$ 59.850.000 e deságio de 51,21%.
Os lotes 5 e 6, referentes ao Paraná, também foram decididos em viva-voz. O lote 5, com 173 quilômetros de extensão, foi disputado por Engie e Cymi e ficou com a Cymi, que ofertou R$ 96.400.000 e deságio de 46,36%. Já o lote 6, de quatro quilômetros no município de Santa Terezinha do Itaipu, teve disputa entre Engie e Cox Brasil e foi vencido pela Cox Brasil, com oferta de R$ 37.850.000 e deságio de 53,46%. Os dois empreendimentos paranaenses somam R$ 1,46 bilhão, 177 quilômetros de linhas e 3.336 empregos, com benefícios para a região metropolitana de Curitiba e as regiões oeste e sudoeste.
O lote 7, com instalações na Paraíba, foi vencido pela Neoenergia, que superou a Celeo com proposta de R$ 68.000.000 e deságio de 38,55%. Segundo o Ministério de Minas e Energia, os lotes 1 e 7, na Bahia e na Paraíba, somam R$ 1,16 bilhão em investimentos, com previsão de 3.132 empregos e 351 quilômetros de novas linhas, reforçando o atendimento ao sul e centro-sul baiano e ao sertão paraibano.
Em Rondônia, o lote 8 foi arrematado pela Celeo por R$ 66.664.542, com deságio de 48,02%. O lote prevê R$ 753,2 milhões em investimentos e 2.151 empregos para a instalação na Subestação Coletora Porto Velho, com o objetivo de ampliar a estabilidade e a resiliência do sistema de transmissão que atende Acre e Rondônia.
O último lote leiloado foi o 2, com instalações em Goiás e na Bahia, vencido pela EDP com proposta de R$ 26.530.000 e deságio de 53,29%. Os investimentos são da ordem de R$ 317 milhões, destinados à conexão entre os dois estados, com 126 quilômetros de linhas e estimativa de 792 empregos, para ampliar o atendimento ao nordeste goiano.
O leilão também incluiu projeto de reforço ao atendimento da região metropolitana da capital paulista, com R$ 1,071 bilhão previstos, 45 quilômetros de linhas e 2.676 empregos.
De acordo com o Ministério de Minas e Energia, os leilões de transmissão de energia elétrica já mobilizaram R$ 69,64 bilhões em investimentos estimados entre 2023 e 2026, montante que chega a R$ 77,54 bilhões quando atualizado pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
Análise WeekNews: os deságios registrados em praticamente todos os lotes, com alguns acima de 50%, indicam que a disputa entre as empresas foi além da simples habilitação técnica e se concentrou na redução do custo das outorgas. Para o consumidor, o efeito prático tende a aparecer na modicidade tarifária, enquanto a distribuição geográfica dos empreendimentos — com foco em Bahia, Paraná, Paraíba, Rondônia, Goiás e São Paulo — reforça a dimensão regional do certame. O volume de R$ 8,9 bilhões e a estimativa de mais de 20 mil empregos dão a medida do peso do leilão no encerramento do calendário anual do setor.
Fonte: Agência Brasil.
