
O dólar comercial encerrou o pregão desta quinta-feira (5) em alta de 0,67%, cotado a R$ 5,488, enquanto o Ibovespa recuou 0,82%, aos 166.191,45 pontos. O movimento foi puxado pela aversão ao risco nos mercados internacionais, sobretudo em Wall Street, onde ações ligadas à inteligência artificial registraram perdas expressivas.
O índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes, subia 0,09%, aos 101,560 pontos. A deterioração do cenário externo levou investidores a reduzir posições em ativos de risco, incluindo moedas de países emergentes, e a buscar proteção na moeda norte-americana. Nos Estados Unidos, as preocupações envolvem investimentos no setor de tecnologia e possíveis mudanças regulatórias após as eleições de meio de mandato.
As principais bolsas americanas fecharam com perdas acentuadas: o Nasdaq recuou 5,52%, a 24.315,00 pontos; o S&P 500 caiu 4,36%, a 7.353,73 pontos; e o Dow Jones perdeu 3,44%, a 51.523,06 pontos. A pressão recaiu principalmente sobre empresas de tecnologia, semicondutores e datacenters.
No Brasil, o Ibovespa chegou a iniciar o dia em alta, aproximando-se dos 169 mil pontos, mas inverteu o sinal e acompanhou o pessimismo externo. O índice registrou máxima de 168.994,33 pontos e mínima de 166.249,09 pontos, com volume financeiro de R$ 31,16 bilhões. Além do cenário internacional, os investidores repercutiram os resultados corporativos divulgados ao longo do dia e a decisão do Banco Central de manter a taxa Selic em 13,75% ao ano.
A agenda doméstica também incluiu a reunião do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com ministros, ex-ministros e conselheiros para debater os rumos da economia. Após o encontro, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo pretende aprofundar a análise de medidas econômicas, sem anunciar ações específicas.
No campo da atividade econômica, a produção industrial brasileira registrou retração de 0,8% em setembro na comparação com agosto. Na comparação anual, o setor recuou 2,5%.
Análise WeekNews: O pregão desta quinta-feira combinou dois vetores de pressão sobre os ativos brasileiros. O externo, com a queda forte das bolsas americanas e a busca por proteção no dólar, e o doméstico, marcado pela manutenção da Selic em 13,75% e pela sinalização de que o governo ainda estuda medidas econômicas sem anúncio concreto. A valorização da moeda americana para perto de R$ 5,49 e a inversão do Ibovespa, que chegou a operar em alta e fechou em queda, indicam que o humor do mercado permanece sensível tanto ao cenário internacional quanto à definição da agenda econômica interna. A retração da produção industrial em setembro acrescenta um elemento de cautela sobre o ritmo da atividade no país.
Fonte: Agência Brasil.
