
Duas empresárias do Rio de Janeiro foram as vencedoras da 2ª edição do Prêmio de Inclusão e Diversidade Racial no Comércio Exterior, promovido pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e pelo Ministério da Igualdade Racial. O resultado foi divulgado no último dia 12, e as vencedoras puderam optar por uma agenda de negócios personalizada para o mercado internacional ou pela participação em uma promoção comercial organizada pela agência.
As empresas contempladas no estado do Rio foram a The Class Professional, marca de produtos e capacitação para cabelos com curvatura, e a Dani Embalagens Plásticas. Ao todo, sete empresas de diferentes regiões do país foram selecionadas pelo destaque na adoção de políticas e práticas voltadas para inclusão racial, diversidade e fortalecimento de profissionais negros em posições de liderança.
Cátia Lins, cosmetóloga e terapeuta capilar, é diretora executiva da The Class Professional. Ela conta que o negócio nasceu em 2016, a partir da dificuldade que ela própria tinha com a manutenção do cabelo e, às vezes, precisava recorrer ao alisamento. “Quando decidimos trabalhar com cabelos crespos e cacheados, a gente não estava só falando de cabelo. Existia ali por trás a identidade, a representatividade, a autoestima, pertencimento. Então, por muitos anos, esse público recebeu pouca atenção da indústria”, diz.
A The Class Professional baseia seu modelo de negócios em três pilares: desenvolvimento de produtos, educação profissional e geração de oportunidades. “Nós desenvolvemos produtos voltados para um público que historicamente foi pouco representado, mas a gente também investe fortemente em capacitação, formando profissionais de beleza”, ressalta Cátia Lins.
Danielle Caldas, que lidera a Dani Embalagens, conta que seu pai criou uma pequena fábrica de embalagens na cozinha da garagem da avó, e essa foi a sua grande inspiração profissional. Para ela, um ponto muito valorizado na empresa é a atenção às necessidades dos funcionários e as oportunidades reais de crescimento. “Nós nunca enxergamos as pessoas pela cor da pele, gênero, idade ou origem. Sempre olhamos para o caráter, para a vontade de aprender e para o potencial de crescimento”, afirma.
Danielle destaca ainda que todos os líderes da empresa começaram de baixo. “Outro orgulho que eu tenho é dizer que todos os nossos líderes começaram de baixo. Nenhum deles foi contratado para ocupar cargo de liderança. Todos cresceram internamente, foram preparados, treinados e desenvolvidos dentro da empresa”, diz. Ela também enumera as práticas formais adotadas: “Hoje temos igualdade de oportunidades para contratação, promoção e crescimento profissional. Programas de capacitação, desenvolvimento de lideranças, canais confidenciais para denúncias, e tolerância zero ao assédio. Tudo isso está formalizado no nosso regulamento interno e faz parte da rotina da empresa”.
O Programa Raízes Comex, que deu origem à premiação, nasceu a partir de um estudo que identificou a baixa presença de pessoas negras e mulheres em cargos de liderança nas empresas de importação e exportação. A iniciativa tem como objetivo promover a inserção desses grupos no setor.
A ministra da Igualdade Racial, Rachel Barros, destacou o empenho das esferas públicas no combate à desigualdade. “É uma prioridade do Governo do Brasil essa atuação estruturante e transversal para um projeto de desenvolvimento econômico com justiça racial, que posicione o nosso país em melhores condições de desenvolvimento socioeconômico de forma mais justa e igualitária”, afirmou.
A premiação é uma parceria entre o MDIC, a ApexBrasil e o Ministério da Igualdade Racial. As vencedoras puderam escolher entre uma agenda de negócios personalizada para o mercado internacional ou a participação em uma promoção comercial organizada pela agência. A reportagem é de Alice Rodrigues, sob supervisão de Mariana Tokarnia.
Fonte: Agência Brasil.

