
A Justiça do Rio de Janeiro decidiu manter a intervenção judicial na Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Vasco da Gama e nomeou o advogado Athos de Andrade Figueira Neves como novo interventor. A decisão, proferida pela juíza Simone Gastesi Chevrand, da 6ª Vara Empresarial da Capital, rejeitou o pedido de reconsideração apresentado pelo Club de Regatas Vasco da Gama, mantendo o afastamento cautelar de três membros do Conselho de Administração.
O presidente do Vasco, Pedro Paulo de Oliveira, conhecido como Pedrinho, continua afastado do comando da SAF. A interventora anterior renunciou ao cargo alegando falta de condições mínimas de segurança pessoal para exercer a função. A juíza reafirmou a competência da Justiça Estadual para fiscalizar a recuperação judicial, rejeitando o argumento de que a disputa deveria ser resolvida exclusivamente via Tribunal Arbitral.
Na decisão, a magistrada destacou que um dos papéis do interventor é conduzir a gestão “no sentido de devolver à administração do Club de Regatas Vasco da Gama aqueles que para isto foram eleitos, ou até mesmo adotar providências voltadas à convocação subsequente de assembleia deliberativa de nova gestão”. A juíza também esclareceu que não há qualquer impedimento jurídico para a venda das ações da SAF a novos investidores, pois a atuação de profissionais isentos e a transparência dos procedimentos podem agregar segurança e atrair interessados no mercado, garantindo a viabilidade econômica do projeto de recuperação judicial.
A intervenção judicial na SAF do Vasco ocorre em meio a um processo de recuperação judicial do clube. A renúncia da interventora anterior, que alegou riscos à sua segurança pessoal, gerou instabilidade no processo. A nomeação de Athos de Andrade Figueira Neves busca dar continuidade aos trabalhos de reestruturação da gestão e da dívida.
A decisão da Justiça fluminense também manteve o afastamento cautelar de três conselheiros de administração, medida que já havia sido tomada anteriormente. A juíza Simone Gastesi Chevrand assumiu a gestão do processo e tem conduzido as audiências e deliberações sobre o futuro da SAF.
O Vasco, um dos clubes mais tradicionais do futebol brasileiro, enfrenta dificuldades financeiras e busca na recuperação judicial uma forma de renegociar suas dívidas e atrair novos investidores. A SAF foi criada como uma alternativa para separar as finanças do futebol das demais atividades do clube, mas a intervenção judicial mostra a complexidade do processo.
A reportagem da Agência Brasil, publicada em 9 de julho de 2026, trouxe os detalhes da decisão. A juíza deixou claro que a venda das ações da SAF não está proibida, desde que feita com transparência e por profissionais isentos, o que pode aumentar a confiança do mercado e viabilizar economicamente o projeto de recuperação judicial.
O novo interventor, Athos de Andrade Figueira Neves, terá a missão de conduzir a gestão da SAF e preparar o terreno para a eventual devolução do controle aos administradores eleitos ou para a convocação de uma nova assembleia deliberativa. A expectativa é que, com a nomeação, o processo de recuperação judicial ganhe mais estabilidade e previsibilidade.
A decisão judicial representa mais um capítulo na complexa situação do Vasco, que busca reerguer-se financeiramente e voltar a ser competitivo no cenário nacional. A manutenção da intervenção e a nomeação de um novo interventor são vistas como passos necessários para garantir a transparência e a legalidade do processo de recuperação.
Fonte: Agência Brasil.
