
A seleção francesa entra em campo neste sábado (18), às 18h (horário de Brasília), em Miami, para a disputa do terceiro lugar da Copa do Mundo de 2026 contra a Inglaterra. O jogo, que vale um prêmio de consolação, pode sacramentar o lugar dos Blues na história como uma das equipes que marcaram uma edição de Mundial pelo futebol apresentado, mesmo sem conquistar o título.
Cultuada como dona de uma geração de talentos inigualáveis nos últimos três ciclos, a França comandada por Didier Deschamps chega à decisão do terceiro lugar com o segundo melhor ataque da competição, com 16 gols em sete partidas. O trio ofensivo formado por Kylian Mbappé, Ousmane Dembélé e Michael Olise produziu momentos memoráveis ao longo do torneio. Mbappé, que divide a artilharia da Copa com Lionel Messi, ambos com oito gols, fez belos gols contra Senegal e Iraque. Dembélé, eleito o melhor jogador do mundo em 2025 com a Bola de Ouro e o The Best da Fifa, marcou cinco gols, incluindo um hat-trick contra a Noruega. Já Olise, que estreou pela França há menos de dois anos, não balançou as redes, mas deu cinco assistências, número superado apenas por Pelé em 1970. O meia ainda acertou duas vezes a trave em lances de golaço: uma cobertura contra o Iraque e uma meia-bicicleta contra a Suécia.
Apesar do desempenho ofensivo, a França terá o pior resultado entre as três últimas Copas. Depois de duas finais — com um título em 2018 e um vice em 2022 —, o time de 2026 pode alcançar, no máximo, o terceiro lugar. Até a semifinal contra a Espanha, a equipe era a única a vencer todos os seis jogos que disputou sem precisar de prorrogação. Nas estatísticas da Fifa, a França foi a que mais finalizou (120 vezes, empatada com a Espanha) e a que mais teve finalizações certeiras (50), ou seja, a que mais obrigou os goleiros adversários a trabalharem.
O conceito de seleção que encanta mas não vence não é novo na história das Copas. A Hungria de 1954 é considerada a precursora. Liderada por Ferenc Puskás, que hoje dá nome ao prêmio de gol mais bonito do ano da Fifa, a seleção húngara atropelou os adversários rumo à final, incluindo uma goleada de 4 a 2 sobre o Brasil nas quartas de final. Na fase de grupos, havia aplicado 8 a 3 na Alemanha Ocidental, com os reservas alemães. Na decisão, porém, a Hungria abriu 2 a 0 e sofreu a virada, perdendo por 3 a 2. Até hoje, aquela equipe detém o melhor ataque de uma mesma edição de Copa, com 27 gols em apenas cinco partidas. A Argentina, que tem o melhor ataque da edição atual com 19 gols em sete jogos (dois deles com prorrogação), precisaria marcar oito gols na final contra a Espanha para igualar o recorde húngaro.
Vinte anos depois, foi a vez da Holanda encantar o mundo. A geração de ouro treinada por Rinus Michels, com Johan Cruijff como principal estrela, apresentou um futebol revolucionário, apelidado de Laranja Mecânica, sem posições fixas em campo. A equipe marcou 15 gols na Copa de 1974, venceu o Brasil por 2 a 0 nas quartas e chegou à final contra a Alemanha Ocidental, dona da casa. Na decisão, saiu na frente, mas levou a virada e ficou com o vice. O país voltaria a ser segundo colocado em 1978, contra a Argentina, mas sem Cruijff e com menos brilho.
Em 1982, foi o Brasil de Telê Santana que roubou a cena. Com Falcão, Zico, Sócrates e Júnior, a seleção brasileira encantou com espetáculos e gols antológicos. Depois de fazer 3 a 1 na Argentina de Maradona, atual campeã, o Brasil precisava apenas de um empate contra a Itália para avançar às semifinais. Mas uma dolorosa derrota por 3 a 2, com três gols de Paolo Rossi, encerrou o sonho. Mesmo com dois jogos a menos que os finalistas, o Brasil terminou com o melhor ataque da Copa: 15 gols em cinco partidas.
Agora, a França de 2026 busca se juntar a esse seleto grupo. Além do ataque, Mbappé ainda luta para ser o primeiro jogador desde o alemão Gerd Müller, em 1970, a marcar mais de oito gols em um Mundial. Com oito gols até agora, ele pode alcançar a marca na partida contra a Inglaterra. A Argentina, que enfrenta a Espanha na final, tem Messi também com oito gols, empatado com Mbappé na artilharia da Copa. Messi soma 21 gols em Copas, contra 20 de Mbappé.
A partida deste sábado, portanto, não é apenas uma disputa pelo terceiro lugar. É a chance de a França deixar sua marca na memória do futebol mundial, como a Hungria de 1954, a Holanda de 1974 e o Brasil de 1982 — seleções que encantaram, mas não levaram a taça.
Fonte: Agência Brasil.

