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O Amazonas registrou 1.380 focos de incêndio nos dez primeiros dias de outubro, quase quatro vezes mais que os 372 contabilizados no mesmo período de 2025 — uma alta de 271%, segundo o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam). Com 36 municípios em situação de emergência, a Força Aérea Brasileira iniciou nesta segunda-feira (12) o lançamento de água sobre as áreas em chamas.
O principal reforço é um avião KC-390, capaz de despejar 12 mil litros de água por voo, com previsão de três lançamentos diários. Uma segunda aeronave atua como cargueiro de apoio. De acordo com a Defesa Civil estadual, também participam do combate sete aviões de menor porte, três helicópteros e 290 brigadistas. A Força Nacional deve chegar à região a partir do dia 20, e o governo federal já destinou mais de R$ 45 milhões ao estado.
No domingo (11), os ministros do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, e da Integração, Waldez Góes, sobrevoaram as áreas atingidas. Capobianco afirmou que os focos têm origem humana, já que não existe fogo espontâneo na Amazônia, e informou que o governo federal liberou mais de R$ 34 milhões para o Corpo de Bombeiros do estado. O ministro também citou resultados de prevenção: segundo ele, o desmatamento caiu 50% na Amazônia, mas no Amazonas a redução chegou a 75,8%. “O êxito no estado do Amazonas foi superior à média de toda a Amazônia Legal”, disse, acrescentando que os dados recentes, a serem divulgados na próxima semana, mostrarão que o estado seguiu dando bom exemplo na redução do desmatamento.
Waldez Góes explicou que seca e incêndio florestal são tratados de formas diferentes pela lei, embora a estiagem agrave o fogo. A emergência nos 36 municípios foi decretada pelo governo do Amazonas e reconhecida pelo governo federal no sábado (10), o que agiliza o envio de recursos.
Pelos dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Lábrea, no sul do estado, lidera os registros, com 225 focos, seguida por Boca do Acre e Autazes.
Manaus amanheceu nesta segunda-feira sob fumaça pelo quinto dia consecutivo. O monitoramento da Universidade do Estado do Amazonas classifica a qualidade do ar como péssima em vários bairros da capital. No sábado, a concentração de partículas chegou a mais de oito vezes o nível considerado bom. Apesar da fumaça, a capital registrou poucos focos de incêndio: a poluição vem de queimadas em outros municípios, como Autazes e Itacoatiara.
Na sexta-feira (9), a Defesa Civil alertou para o risco à saúde e recomendou o uso de máscaras, principalmente por crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias. A prefeitura suspendeu as aulas da rede municipal.
Análise WeekNews: O contraste entre a redução de 75,8% no desmatamento do Amazonas e a alta de 271% nos focos de incêndio em outubro indica que os dois fenômenos respondem a dinâmicas distintas. A fumaça que encobre Manaus, cidade com poucos focos próprios, evidencia que o problema tem alcance regional e que a qualidade do ar na capital depende do que ocorre em municípios vizinhos. O reconhecimento federal da emergência em 36 cidades e o envio de aeronaves e brigadistas sugerem que a resposta ao fogo tende a se concentrar no combate direto, enquanto a estiagem segue agravando a situação.
Fonte: Agência Brasil.
