
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) concedeu registro ao Emrelis (telisotuzumabe vedotina), medicamento indicado ao tratamento de adultos com câncer de pulmão de células não pequenas (CPCNP). A aprovação, divulgada nesta quinta-feira (22), contempla pacientes com doença não escamosa, localmente avançada ou metastática, com receptor do fator de crescimento epidérmico tipo selvagem e alta superexpressão da proteína c-Met, que já tenham recebido terapia sistêmica anteriormente.
Segundo a Anvisa, o medicamento age de forma direcionada: reconhece e se liga seletivamente à proteína c-Met na superfície das células tumorais, o que permite a internalização do complexo e a liberação intracelular da monometilauristatina E, resultando na morte das células do tumor.
A decisão foi fundamentada principalmente em um estudo realizado com pacientes previamente tratados para CPCNP. Na população total avaliada, o medicamento apresentou taxa de resposta objetiva de 29,2%. Entre os pacientes com alta superexpressão de c-Met, a taxa de resposta chegou a 34,5%, associada, de acordo com a agência, a respostas duradouras e benefício clínico relevante em um cenário com opções terapêuticas limitadas.
A Anvisa destacou ainda que o câncer de pulmão está entre as principais causas de morte pela doença no mundo. O CPCNP responde por cerca de 85% dos casos, dos quais aproximadamente 70% são do subtipo não escamoso, alvo da medicação aprovada. A agência observou que pacientes com doença localmente avançada ou metastática, quando as células do tumor se espalham para outras partes do corpo, têm prognóstico desfavorável e dispõem de poucas alternativas após quimioterapia e imunoterapia.
Análise WeekNews: a aprovação amplia o leque terapêutico para um grupo específico de pacientes com CPCNP, definido por marcadores biológicos precisos — no caso, a alta superexpressão de c-Met. Os números do estudo indicam que o benefício não é uniforme: a taxa de resposta é maior justamente entre aqueles que apresentam esse perfil. Na prática, a decisão da Anvisa reforça a tendência de tratamentos cada vez mais segmentados, em que a seleção do paciente pelo perfil molecular se torna parte central da escolha terapêutica.
Fonte: Agência Brasil.
