ApexBrasil anuncia plano de R$ 130 milhões para diversificar exportações após tarifaço dos EUA

ApexBrasil anuncia plano de R$ 130 milhões para diversificar exportações após tarifaço dos EUA
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A Agência Brasileira de Promoção das Exportações e Investimentos (ApexBrasil) anunciou, nesta sexta-feira (17), um plano de R$ 130 milhões para diversificar as vendas do Brasil no exterior e reduzir os impactos das tarifas adicionais impostas pelos Estados Unidos. A medida, que será lançada em agosto, é uma resposta direta ao tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros, confirmado na quarta-feira (15) pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR).

O plano será desenvolvido em parceria com 57 setores econômicos do país, que reúnem 2,4 mil empresas exportadoras. Em entrevista coletiva, o presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, explicou que a agência já trabalha na expansão para outros mercados, mas agora o foco será a diversificação. “É um novo olhar sobre novas oportunidades a partir de um novo cenário do comércio internacional”, afirmou.

Imagem de drone mostra o Porto de Santos (SP), 31 de julho de 2025. REUTERS/Jorge Silva
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As prioridades do plano incluem o mercado da União Europeia, impulsionado pelo recente acordo com o Mercosul, e os países da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), como Indonésia, Malásia, Tailândia e Vietnã, que apresentam altas taxas de crescimento. Países da Ásia Central, como Cazaquistão e Uzbequistão, também estão entre os possíveis novos mercados. “São países de alto crescimento e desenvolvimento, eles têm procurado muito o Brasil para parcerias em investimento e também porque têm uma população que está crescendo a 7% ou 8%, com população jovem, e que demandam, inclusive, produtos que o Brasil tem”, disse Müller.

O tarifaço dos EUA, que entra em vigor em 22 de julho, foi justificado por Washington com alegações de supostas práticas “desleais” no comércio por parte do Brasil. O governo brasileiro rejeita as justificativas, afirmando que a medida tem motivação política e que os EUA exigiam abertura total de mercados sem contrapartida. Durante as negociações, a lista de produtos isentos passou de 615 para 699, elevando o valor isento de US$ 20,6 bilhões para US$ 22,8 bilhões do total exportado, com base em dados de 2025.

Müller destacou que, no primeiro semestre deste ano, houve uma redução de cerca de US$ 2,6 bilhões nas exportações para os EUA, resultado das tarifas aplicadas anteriormente. No entanto, o Brasil conseguiu compensar parcialmente essa perda com aumentos significativos para outros destinos: US$ 3,1 bilhões a mais para a Europa, US$ 2,5 bilhões para a Índia e US$ 10,5 bilhões para a China. As negociações do Mercosul com Índia, Japão e Canadá também foram apontadas como oportunidades para reduzir a dependência do mercado americano.

O presidente da ApexBrasil ressaltou que o trabalho de diversificação já está em andamento desde as primeiras tarifas impostas pelos EUA, ainda em 2025. Segundo ele, 72% das 2,4 mil empresas que exportam para os EUA e são apoiadas pela agência já diversificaram seus mercados entre junho de 2025 e maio de 2026, acrescentando pelo menos um novo destino de exportação nesse período.

Müller reconheceu que há mercados mais fáceis de serem abertos e outros que exigirão um trabalho de médio ou longo prazo. “Tem outros setores que vão demorar um pouco mais e que talvez seja mais complexo. Muitas vezes a gente precisa, inclusive, criar o mercado em outro país. Nós vamos ter que chegar ao mercado chinês, por exemplo, para dizer ‘olha, existe uma rocha brasileira que tem tal característica e ela pode também servir ao seu mercado'”, explicou.

Apesar das dificuldades impostas pelo tarifaço, Müller avaliou que o Brasil tem se destacado no mundo como um país “amigo, um fornecedor estável”. Ele citou como exemplo os US$ 77 bilhões em investimentos recebidos no ano passado, que colocaram o Brasil como o quinto maior receptor de investimentos do mundo. “Os países em desenvolvimento tiveram um crescimento de 2% na atração de investimentos, o Brasil teve um crescimento de 22% na atração de investimentos e é o principal destino já dos investimentos chineses”, concluiu.

Fonte: Agência Brasil.

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