Aplicativo gratuito reúne receitas e histórias da culinária afro-baiana

Aplicativo gratuito reúne receitas e histórias da culinária afro-baiana
Fonte da imagem: Agência Brasil

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Um novo aplicativo e site, batizado de “Guia Culinária Afro-Baiana”, promete aproximar o público da rica tradição gastronômica da Bahia, oferecendo gratuitamente receitas, histórias e a localização de restaurantes que preservam essa herança cultural. O lançamento oficial ocorre nesta quarta-feira (22), às 19h, na Casa Zumvi, no bairro do Rio Vermelho, em Salvador, com um bate-papo sobre as contribuições africanas para a culinária baiana, conduzido pelo idealizador do projeto, o pesquisador e doutor em Estudos Étnicos e Africanos, Wagner Rocha.

O guia digital reúne 31 pratos típicos, com informações detalhadas sobre onde saboreá-los e as histórias que os cercam. A proposta, segundo Wagner, é conectar saberes, sabores e memórias, transformando a comida em um fio condutor da cultura. “O guia surge como essa ferramenta para popularizar esse saber, para tornar esse conhecimento cada vez mais acessível, e que as histórias dos cadernos de receita de mãezinha, de minha avó, das minhas tias, as comidas que eu lembro na infância, das festas populares da Bahia, elas continuem sendo preservadas”, afirmou o pesquisador.

Além de preservar receitas tradicionais, o projeto tem um papel importante de desmistificar narrativas equivocadas sobre a origem de certos pratos. Wagner destaca que é comum o público associar comidas à base de vísceras, como o sarapatel e a feijoada, ao período da escravidão, acreditando que surgiram nas senzalas a partir de sobras das casas-grandes. “Quando, na verdade, muitas dessas comidas têm origem na Península Ibérica, na Europa. O sarapatel, por exemplo, vem do zarapatel, uma comida espanhola. A feijoada não surgiu nas senzalas. A técnica de cozimento também tem muito a ver com a culinária portuguesa”, explicou.

A plataforma foi desenvolvida com navegação intuitiva, permitindo que o usuário explore o conteúdo de acordo com seu interesse. Na seção “Destaques do dia”, é possível ver fotos dos pratos, descrições e tags culinárias. Já nos “Verbetes culturais”, o visitante encontra a história, a origem e o significado cultural de cada receita. Para quem deseja colocar a mão na massa, há um link com o preparo detalhado, incluindo ingredientes, tempo de produção, nível de dificuldade e passo a passo completo.

O guia também funciona como um roteiro gastronômico, indicando eventos e restaurantes que mantêm viva a tradição culinária com influências africanas e indígenas. A ideia é que o aplicativo ajude a preservar o patrimônio cultural imaterial representado por essas comidas, especialmente em estabelecimentos de bairros e comunidades periféricas de Salvador e de todo o Brasil.

Wagner Rocha, que é doutor em Estudos Étnicos e Africanos, acredita que a ferramenta digital contribuirá para que o conhecimento sobre a culinária ancestral baiana se torne cada vez mais acessível, evitando que receitas e histórias se percam com o tempo. “As comidas que eu lembro na infância, das festas populares da Bahia, elas continuem sendo preservadas”, reforçou.

O aplicativo e o site “Guia Culinária Afro-Baiana” já estão disponíveis para acesso gratuito. O lançamento presencial na Casa Zumvi, no Rio Vermelho, contará com um bate-papo aberto ao público sobre as contribuições africanas para a culinária da Bahia, mediado pelo próprio idealizador do projeto.

Fonte: Agência Brasil.

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