Chile de Kast enfrenta retração do PIB e desemprego de 9,6% em meio a ajuste fiscal

Chile de Kast enfrenta retração do PIB e desemprego de 9,6% em meio a ajuste fiscal
Fonte da imagem: Agência Brasil


O Chile registrou no terceiro trimestre de 2026 aumento de 1 ponto percentual no desemprego em 12 meses, que chegou a 9,6%, enquanto o Produto Interno Bruto (PIB) recuou 0,3%, após uma retração de 0,2% no segundo trimestre. O cenário de deterioração econômica ocorre sob o governo de José Antonio Kast, que tomou posse em março com a promessa de reduzir o Estado, cortar impostos e reativar a economia.

Diante do desempenho negativo, Kast lançou no final de setembro um programa de investimentos públicos de 1,3 bilhão de pesos chilenos, voltado à criação de empregos por meio de obras de infraestrutura, subsídios para novos postos de trabalho e apoio ao financiamento de empresas.

A agenda de austeridade previa corte de 3% das despesas do Estado. Os dois primeiros informes do governo indicaram redução da ordem de 2 trilhões de pesos, cerca de 0,6% do PIB chileno. Levantamento do jornal chileno The Clinic, que analisou decretos de 17 das 25 pastas, calculou que o corte ultrapassou US$ 1,4 bilhão. A maior redução foi na saúde, com menos 413 bilhões de pesos, seguida por Habitação (200 bilhões), Educação (197 bilhões) e Trabalho (141 bilhões).

Para o professor de economia da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) Fernando Henrique Lemos Rodrigues, o corte de gastos prejudica uma economia já fragilizada. “Ele está freando a expansão dos gastos. Só isso já dá um impacto brutal sobre a economia chilena, porque ela está diante de uma conjuntura bastante precária no seu principal setor, que é do cobre”, afirmou.

A produção de cobre, que representa entre 30% e 40% das exportações chilenas, caiu 8% de janeiro a agosto deste ano em relação ao mesmo período de 2025, segundo a Câmara Mineira do Chile. Rodrigues aponta esgotamento de minas, problemas tecnológicos para extração, eventos climáticos extremos e movimentos operários por aumentos salariais como entraves ao setor.

O governo também decidiu não intervir para reduzir o preço dos combustíveis, afetado pelas guerras no Oriente Médio, devido ao custo fiscal da medida. Com isso, os valores da gasolina e do diesel vêm crescendo com efeito inflacionário sobre a economia.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu a previsão de crescimento do PIB chileno em 2026 de 1,8%, calculada em julho, para 0,6%, segundo projeção de outubro. É o segundo pior resultado da América do Sul, atrás apenas da Bolívia, onde o FMI prevê recessão de 3%.

Para 2027, o governo prevê aumento de 1,5% do PIB nas despesas. A Fundação Horizonte Cidadão, criada pela ex-presidente Michelle Bachelet, apontou que os cortes no orçamento devem prejudicar 48 programas sociais voltados à população mais pobre, somando 325 bilhões de pesos. O Centro de Investigação Jornalística (CIPER) registrou que os resultados contrastam com a promessa de campanha de Kast de reduzir gastos fiscais sem cortar benefícios sociais.

Cortes anunciados na educação têm mobilizado estudantes em marchas que terminam em repressão policial. Após sete meses no poder, o presidente registra taxas superiores a 60% de desaprovação.

Análise WeekNews: A combinação de retração do PIB, desemprego em alta e queda na produção de cobre sugere que o ajuste fiscal chileno enfrenta dificuldades para entregar a reativação prometida durante a campanha. O programa de investimentos públicos anunciado em setembro indica uma tentativa de compensar o freio nos gastos, mas os números do terceiro trimestre ainda não apontam reversão da trajetória negativa.

Fonte: Agência Brasil.

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