
O desmatamento em unidades de conservação federais da Amazônia Legal atingiu em 2026 o menor patamar da série histórica iniciada em 2008, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (23) pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), órgão vinculado ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. As medições são feitas por satélite pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).
Na Amazônia, foram derrubados 111 quilômetros quadrados de floresta dentro dessas áreas protegidas, o que representa queda de 17% em relação aos 134 km² registrados em 2025. Na comparação com 2021, ano de pico da série histórica, quando o desmatamento somou 618 km², a redução chega a 82%.
O ICMBio atribui o resultado a ações de fiscalização e de proteção ambiental nas áreas mais pressionadas. Ainda assim, 3% do corte ilegal na Amazônia Legal segue ocorrendo em locais protegidos. A região abriga 150 unidades de conservação, que cobrem 64 milhões de hectares.
A maior parte do desmatamento nessas áreas se concentra em um grupo reduzido de unidades: as Florestas Nacionais de Altamira e Jamanxim, no Pará, a Área de Proteção Ambiental do Tapajós, no Amazonas, a Reserva Extrativista Chico Mendes, no Acre, e o Parque Nacional do Juruena, na divisa entre Mato Grosso e Amazonas.
Para o presidente do ICMBio, Mauro Pires, o resultado evidencia o papel das unidades de conservação. “Nosso país tem, nessas unidades, um polo de proteção da vida”, afirmou, em posicionamento enviado à imprensa. Segundo ele, a redução significa também que ativos econômicos e o patrimônio nacional estão resguardados para as próximas gerações.
A Amazônia Legal corresponde a 60% do território brasileiro e reúne os estados do Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia e Roraima, além de povos indígenas e populações tradicionais.
No Cerrado, a queda foi menor. O desmatamento dentro de áreas protegidas do bioma recuou 8% em 2026 na comparação com 2025, com 47 km² derrubados em 29 unidades de conservação que somam 6,25 milhões de hectares. O volume equivale a 0,9% de tudo o que foi desmatado no bioma no ano. Ao todo, o Cerrado perdeu 5,5 mil km² de floresta, montante 23% inferior ao de 2025.
As Áreas de Proteção Ambiental Nascentes do Rio Vermelho, em Goiás, do Planalto Central, próxima ao Parque Nacional de Brasília, e do Delta do Parnaíba concentram, juntas, 70% do desmatamento registrado no bioma.
Análise WeekNews: Os números de 2026 reforçam um movimento de queda que já vinha sendo observado na série do INPE, mas mostram ritmos distintos entre os biomas. Enquanto a Amazônia registra o menor patamar em quase duas décadas, o Cerrado apresenta redução mais modesta e mantém perda florestal concentrada em poucas unidades. A concentração do desmatamento em um grupo restrito de áreas protegidas indica que a fiscalização nessas localidades tende a continuar sendo decisiva para a trajetória dos próximos anos.
Fonte: Agência Brasil.
