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A Prefeitura do Rio de Janeiro anunciou nesta segunda-feira (20) a antecipação do Plano Verão, conjunto de ações de prevenção, monitoramento e resposta a eventos climáticos extremos, diante da possibilidade de um super El Niño entre outubro e dezembro deste ano. A decisão foi motivada por estimativas da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), que apontam 81% de probabilidade de ocorrência do fenômeno no último trimestre de 2026 e 97% de chance de persistência até o início da primavera de 2027.
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial. No Brasil, seus efeitos costumam se manifestar com chuvas mais intensas na região Sul e períodos de seca no Norte e Nordeste. Para o Rio de Janeiro, a principal preocupação é com temperaturas acima da média histórica e alterações no regime de precipitações, que podem resultar tanto em ondas de calor prolongadas quanto em temporais concentrados.
Para lidar com os possíveis impactos, mais de 50 órgãos e entidades municipais atuam de forma integrada, com monitoramento em tempo real. As ações incluem investimentos em infraestrutura, prevenção de alagamentos, contenção de encostas, ampliação de áreas verdes e medidas específicas de combate ao calor extremo. O prefeito Eduardo Cavaliere destacou a força-tarefa montada pela administração municipal.
“A partir de uma estratégica única dos órgãos e dirigentes municipais, a gente consegue, em muitos casos, reduzir os efeitos, minimizar os impactos. Mas isso não significa que a cidade vai deixar de viver momentos extremos com a chuva. Somos uma cidade de clima tropical úmido, com chuvas intensas, com calor intenso e, mais do que isso, chove em momentos concentrados”, afirmou Cavaliere.
O planejamento reúne informações meteorológicas e indicadores de saúde para orientar as ações do poder público, com prioridade para a proteção dos grupos mais vulneráveis, como crianças, idosos e pessoas em situação de rua. A cidade mantém um sistema de classificação de risco para ondas de calor dividido em cinco níveis, que leva em conta o índice de calor — calculado a partir da combinação entre temperatura e umidade do ar — e a duração dessas condições climáticas.
Além disso, o município dispõe do Cell Broadcast, tecnologia que permite o envio de alertas de emergência diretamente para celulares localizados em regiões sob risco. A prefeitura também implementou programas de mitigação do calor, como o Refloresta Rio, que já plantou quase 11 milhões de mudas, e o Planta+Rio, com a meta de plantar mais de 200 mil mudas até 2028. A população pode solicitar mudas pela Central 1746.
Na área de obras estruturantes, a preparação do Rio inclui intervenções para prevenção de enchentes, alagamentos e deslizamentos. A cidade mantém obras de contenção de encostas em andamento, com investimentos de R$ 258 milhões, beneficiando cerca de 60 mil pessoas. Desde 2021, foram realizadas obras de requalificação urbana que beneficiaram mais de 75 localidades nas zonas Norte e Oeste da capital fluminense, com investimento superior a R$ 1 bilhão.
A antecipação do Plano Verão ocorre em um contexto de aumento da frequência e intensidade de eventos climáticos extremos, e a prefeitura busca reduzir danos com uma abordagem preventiva. Apesar dos investimentos, Cavaliere reconheceu que a cidade continuará sujeita a momentos críticos, especialmente durante chuvas concentradas típicas do clima tropical úmido do Rio.
Fonte: Agência Brasil.
