
World Soccer Talk.
A FIFA enfrenta uma crise interna inesperada após a renúncia de Carlos Cordeiro, um dos principais conselheiros do presidente Gianni Infantino. Em carta de despedida publicada no LinkedIn, Cordeiro não poupou críticas ao plano da entidade de vender uma participação na Copa do Mundo, classificando a proposta como um mau negócio para as federações filiadas, para o futebol e para o futuro do esporte.
Na carta, Cordeiro afirmou que não poderia permanecer no cargo enquanto a FIFA considerasse vender uma parte do torneio. Ele destacou que não teve envolvimento na proposta e que se opõe a ela de forma inequívoca. “É um mau negócio para as federações membros da FIFA, um mau negócio para o futebol e um mau negócio para o futuro de longo prazo deste esporte”, escreveu.
Cordeiro também anunciou sua renúncia imediata ao cargo de conselheiro sênior do presidente da FIFA. “Depois de uma consideração cuidadosa, não posso mais continuar no meu papel de Conselheiro Sênior do Presidente da FIFA. Portanto, renunciei com efeito imediato”, acrescentou.
A trajetória de Cordeiro dá peso às suas objeções. Ele presidiu a Federação de Futebol dos Estados Unidos (U.S. Soccer) entre 2018 e 2020, antes de ser nomeado por Infantino, em 2021, como Conselheiro Sênior para Estratégia Global e Governança.
Na carta, Cordeiro cobrou transparência da FIFA sobre o negócio, questionando quem se beneficiaria com a venda, se houve um processo competitivo e por que as federações membros teriam apenas 50 dias para decidir sobre uma questão tão consequente.
O plano, chamado FIFA Forward Enterprise, não foi bem recebido pelas confederações. A UEFA já anunciou que suas federações nacionais não participarão de competições organizadas pela FIFA se o plano for aprovado. A Concacaf e a Confederação Asiática de Futebol também manifestaram oposição.
Em resposta às críticas, a FIFA afirmou na sexta-feira que o plano não significa vender o futebol. “Ninguém está vendendo o futebol. Isso é algo que a FIFA jamais contemplaria”, disse a entidade em comunicado, negando que investidores privados ganhariam controle sobre o jogo.
A FIFA classificou a proposta como meramente consultiva, argumentando que nenhuma confederação pode decidir em nome das 211 associações membros e que qualquer mudança exigiria apoio majoritário de todos os membros. A entidade também rejeitou parte das reportagens sobre o plano, chamando-as de “informações errôneas” que distorceram a natureza da consulta.
Apesar disso, a FIFA reconheceu as preocupações levantadas nos últimos dias e disse que o processo de discussão continua aberto. A pressão sobre a proposta de Infantino aumenta com a ameaça de boicote da UEFA e a rejeição da Concacaf.
Leia mais aqui em inglês: https://worldsoccertalk.com/news/gianni-infantinos-key-fifa-advisor-carlos-cordeiro-resigns-amid-uefa-conflict-with-bold-farewell-letter/.
Fonte: World Soccer Talk.
World Soccer Talk.
2026-07-31 16:15:00

