
A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de manter a taxa básica de juros (Selic) em 13,75% ao ano provocou reação negativa de entidades do setor produtivo e de parlamentares. A medida foi anunciada nesta quarta-feira (4) e, segundo representantes da indústria e do comércio, compromete a atividade econômica, o acesso ao crédito, os investimentos e o orçamento público.
A Força Sindical classificou a decisão como “irracional, nefasta e desastrosa”. O presidente da entidade, Miguel Torres, afirmou que os juros elevados restringem o crédito, a produção e a geração de empregos. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) também cobrou a retomada do ciclo de cortes da taxa básica.
No campo político, o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) criticou a manutenção da Selic e atribuiu a decisão à pressão do mercado financeiro após a eleição presidencial. Em postagem nas redes sociais, o parlamentar afirmou que “é inadmissível que, depois da derrota de seu candidato, a Faria Lima passe a torcer contra o Brasil e use os juros como instrumento de pressão sobre o governo eleito”.
Lindbergh também sustentou que a decisão do Copom encarece o crédito e sufoca a produção. O deputado cobrou explicações do Banco Central sobre a interrupção do ciclo de cortes e defendeu investimentos em indústria, ciência e infraestrutura.
Análise WeekNews: A manutenção da Selic em 13,75% ocorre em um momento de cobrança pública por parte de entidades industriais e sindicais, que associam o patamar elevado dos juros a restrições no crédito e na atividade. A crítica de Lindbergh Farias acrescenta um componente político à discussão, ao vincular a decisão do Copom à pressão do mercado financeiro após a eleição presidencial. O episódio indica que o debate sobre a política monetária tende a permanecer no centro da agenda econômica, com o setor produtivo pressionando por cortes e o Banco Central sendo cobrado a justificar a interrupção do ciclo de redução da taxa básica.
Fonte: Agência Brasil.
