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Em um fim de semana em Detroit, o repórter David Marcus percorreu bairros revitalizados e conversou com dezenas de eleitores democratas. A impressão que colheu é que o candidato ao Senado Abdul El-Sayed, apoiado pela ala mais à esquerda do partido, enfrenta dificuldades para convencer o eleitorado local. A cidade vive um momento de recuperação econômica visível — lojas cheias, novos prédios, moradores jovens migrando para o centro — e isso, segundo os entrevistados, diminui o apelo de propostas socialistas.
Emily, bartender do Le Supreme Brasserie, cresceu nos subúrbios e hoje curte a vida noturna do centro. Ela personifica o novo perfil de detroitiano que, junto com outros como Nick, 29, que trabalha em publicidade em Chicago, se surpreende com as transformações: “É tão diferente agora, vários desses lugares nem existiam há alguns anos”, disse Nick. Até a fumaça dos incêndios florestais canadenses não afastou os pedestres das avenidas Washington e Woodward.
Sean, que se mudou da Filadélfia em 2019, mora em um prédio elegante e define a cidade como “tranquila, com muita coisa para fazer”. Democrata convicto, ele odeia o presidente Donald Trump, mas sua prioridade na primária de 4 de agosto entre El-Sayed e a deputada Haley Stevens é a elegibilidade. “Tudo o que importa é eleger um democrata. R ou D, é só isso que importa”, afirmou. Essa postura é um mau sinal para El-Sayed, que tenta se distanciar da pecha de radical demais para vencer em Michigan, um estado púrpura.
James, encanador aposentado negro na casa dos 60 anos e veterano do movimento de direitos civis, disse que o discurso do candidato não o toca: “Isso simplesmente não parece com o movimento do qual fiz parte. Parece estrangeiro para mim”. Kelly, uma americana de origem iraniana, foi além: alertou que candidatos de extrema esquerda como El-Sayed “são como no Irã” e criticou a imigração muçulmana em Dearborn, afirmando que os imigrantes não se assimilam. “Quando Joe [Biden] abriu aquela fronteira, eles foram plantados lá”, disse.
Para o repórter, o que falta a El-Sayed — e a seus “amigos socialistas de fora” — é uma necessidade real de socialismo em uma Detroit que cresce. Diferentemente de Nova York, onde o aluguel é sempre “muito caro”, em Detroit a acessibilidade não é um problema tão agudo. A maioria dos eleitores democratas ouvidos quer uma mão firme no sistema, derrotar Trump e o Partido Republicano, mas não desmantelar um modelo que, em muitos aspectos, está funcionando.
Apesar do cenário desfavorável, El-Sayed recebeu apoios de peso. O senador Bernie Sanders e a deputada Alexandria Ocasio-Cortez fizeram uma turnê de três paradas ao lado dele. Na segunda-feira, a senadora Elizabeth Warren também declarou apoio — algo que o repórter classificou como “tão surpreendente quanto Tony, o Tigre, endossar Sucrilhos”. A governadora Gretchen Whitmer, muito popular entre os democratas de Michigan graças à revitalização de Detroit, até agora não se manifestou a favor de nenhum dos dois.
Outro dado chamou a atenção do jornalista: em dezenas de conversas, nenhum eleitor mencionou Israel espontaneamente. Embora El-Sayed critique constantemente o país, o tema não parece ser decisivo para o eleitorado. Enquanto isso, o republicano Mike Rogers aguarda nos bastidores o vencedor da primária para a disputa geral.
A eleição de 4 de agosto é vista como um teste decisivo para a ala mais à esquerda do Partido Democrata. O resultado indicará se é possível substituir a velha coalizão de trabalhadores e minorias nativas por uma base formada por brancos com ensino superior e imigrantes. Nas ruas de Detroit, porém, o discurso radical de El-Sayed ainda não convenceu.
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Fonte: Fox News.
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2026-07-22 08:43:00


