MP de São Paulo processa Tools for Humanity e Amazon por coleta irregular de íris em troca de pagamento

MP de São Paulo processa Tools for Humanity e Amazon por coleta irregular de íris em troca de pagamento
Fonte da imagem: Agência Brasil


O Ministério Público de São Paulo (MPSP) ajuizou nesta segunda-feira (21) uma ação civil pública contra a Tools for Humanity Corporation e a Amazon AWS Serviços Brasil Ltda. por irregularidades na coleta de dados biométricos de íris de consumidores paulistanos. A promotoria pede, em caráter liminar, a preservação de todos os dados, registros e metadados relacionados ao processamento dessas informações, além da apresentação de contratos e relatórios técnicos sobre seu armazenamento.

A promotora de Justiça Patrícia Leitão, responsável pela ação, solicita ainda a identificação da empresa do grupo Amazon responsável pela hospedagem dos dados e a suspensão de novas coletas de íris mediante qualquer tipo de pagamento ou benefício até a realização de perícia judicial. Para a promotora, o quadro caracteriza publicidade enganosa, exploração da vulnerabilidade dos consumidores e vício no consentimento.

A coleta desses dados era feita especialmente em pessoas em situação de vulnerabilidade socioeconômica, mediante oferta de compensação financeira, e concentrada em regiões periféricas e de grande circulação, próximas a estações de metrô e unidades do Poupatempo. Segundo o MPSP, a empresa manteve a prática por meio da concessão de benefícios internos no aplicativo World App mesmo depois de a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) determinar a suspensão da oferta de criptomoedas ou de qualquer compensação financeira pela coleta da íris.

A ação requer ainda que as práticas sejam declaradas abusivas, que as rés sejam proibidas definitivamente de coletar dados biométricos de íris mediante contrapartida financeira, eliminem de forma irreversível os dados já coletados, indenizem a coletividade em ao menos R$ 240 milhões por danos morais e reparem os prejuízos individuais causados aos consumidores, informou o MPSP.

A promotoria sustenta também que os consumidores não receberam informações claras sobre a finalidade econômica do projeto, os riscos relacionados ao tratamento dos dados biométricos, sua transferência para o exterior e a possibilidade de armazenamento dessas informações em servidores da Amazon Web Services.

A ação tem origem no relatório final da CPI da Íris, da Câmara Municipal de São Paulo, que investigou a atuação do Projeto World ID na capital paulista. Segundo a apuração, mais de 400 mil pessoas tiveram a íris escaneada em troca de recompensas financeiras que variavam entre R$ 300 e R$ 700.

A Tools for Humanity é a empresa por trás do World ID, um projeto que utiliza escaneamento de íris para verificar identidade digital. A Amazon AWS, por sua vez, é a responsável pela hospedagem dos dados coletados. O MPSP busca, com a ação, garantir a proteção dos dados biométricos dos consumidores e responsabilizar as empresas por eventuais danos causados.

A promotora Patrícia Leitão destacou que a coleta de íris ocorria de forma abusiva, aproveitando-se da vulnerabilidade das pessoas em situação de pobreza. A ação pede a suspensão imediata da coleta e a preservação dos dados para perícia, além de indenização coletiva e individual.

O caso segue agora na Justiça de São Paulo, que decidirá sobre as medidas liminares solicitadas pelo Ministério Público. A reportagem tenta contato com as empresas para comentar a ação.

Fonte: Agência Brasil.

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