
A Espanha é bicampeã mundial de futebol masculino. Em uma final tensa e marcada pela superioridade tática, a Fúria venceu a Argentina por 1 a 0 na prorrogação, neste domingo (19), no MetLife Stadium, em Nova Jersey (Estados Unidos). O gol do título foi marcado pelo atacante Ferran Torres, que saiu do banco de reservas para decidir a partida e recolocar a seleção espanhola no topo do futebol após 16 anos.
Com a conquista, a Espanha entra para o seleto grupo de bicampeões mundiais, ao lado de Uruguai e França, além das seleções com três ou mais títulos, como a própria Argentina e o Brasil, único pentacampeão. A Fúria também atingiu dois marcos históricos: tornou-se o primeiro país a conquistar simultaneamente os títulos mundiais masculino e feminino — a seleção feminina foi campeã em 2023 — e alcançou a maior invencibilidade da história do futebol, com 38 partidas sem derrota, superando a sequência da Itália entre 2018 e 2021.
A partida começou com a Espanha controlando as ações, mas sem conseguir furar o bloqueio argentino. A primeira etapa foi marcada por nervosismo e poucas chances claras. Aos quatro minutos, Lamine Yamal tabelou com Dani Olmo e finalizou, mas a bola desviou no zagueiro Lisandro Martínez e facilitou a defesa de Emiliano Martínez. Aos 38, Mikel Oyarzabal recebeu de Olmo na entrada da área e chutou de primeira, parando em Dibu. Aos 42, Marc Cucurella bateu cruzado de fora da área e mandou a bola rente à trave. A Argentina não finalizou uma vez sequer no primeiro tempo.
No segundo tempo, a pressão espanhola se intensificou. Logo aos 30 segundos, Ezequiel Paredes, que acabara de entrar, errou um passe na intermediária e Alex Baena carregou até a entrada da área, mas Dibu defendeu. Aos 18 minutos, Olmo recebeu de Pedri e chutou, mas o goleiro argentino salvou novamente. Três minutos depois, Yamal cruzou da direita e Ferran Torres cabeceou em cima de Dibu. Aos 31, Pau Cubarsi arriscou da intermediária, Dibu deu rebote e Mikel Merino chutou para fora na pequena área.
A situação argentina ficou ainda mais complicada aos 47 minutos do segundo tempo, quando Enzo Fernández recebeu o segundo cartão amarelo por uma entrada forte em Cubarsi. Foi a primeira expulsão em uma final de Copa desde Zinedine Zidane, em 2006. Mesmo com um jogador a menos, a Argentina conseguiu levar a partida para a prorrogação graças a mais uma defesa de Dibu Martínez em cobrança de falta de Yamal, aos 52 minutos.
Na prorrogação, a Argentina tentou diminuir o ritmo e forçar os pênaltis. Aos dois minutos, Nico Williams cabeceou na pequena área após levantamento de Pedri, mas Dibu defendeu. O gol da vitória saiu aos 15 minutos do primeiro tempo da prorrogação: Ferran Torres, que havia entrado no lugar de Oyarzabal, aproveitou um cruzamento e finalizou com precisão, vencendo Dibu Martínez.
Do lado argentino, a frustração foi dupla: além do adiamento do sonho do tetra, a derrota marcou o adeus de Lionel Messi às Copas. Aos 39 anos, no sexto Mundial da carreira, o camisa 10 se despede com o título de 2022, dois vices (2014 e 2026) e o posto de segundo maior artilheiro da história do evento, com 21 gols. Messi liderou a artilharia durante boa parte da Copa, mas foi ultrapassado no último sábado (18) por Kylian Mbappé, que chegou a 22 gols na derrota da França para a Inglaterra na disputa do terceiro lugar.
A Espanha, por sua vez, deixa um recado para 2030, quando será uma das sedes da Copa: com a sexta menor média de idade do torneio (26,2 anos), a Fúria é favorita para buscar o tri. Nomes como Gavi, Pedri e Nico Williams sequer terão completado 30 anos, enquanto veteranos como Rodri (34) e Cucurella (32) podem muito bem chegar lá. Lamine Yamal, de 19 anos, tornou-se o mais jovem campeão mundial desde Ronaldo, em 1994, e o quarto mais novo da história a vencer uma Copa, atrás apenas de Pelé (1958).
O título também teve um gosto especial para a geração de 2010. Iker Casillas, Xavi Hernández, Carles Puyol, Andrés Iniesta — autor do gol daquela conquista — e até Joan Capdevilla estiveram em Nova Jersey para testemunhar a segunda estrela. Diferentemente de 2010, o herói saiu do banco: Ferran Torres, de 26 anos, criado no Valência e com passagens por Manchester City e Barcelona, foi o nome do jogo.
Fonte: Agência Brasil.

