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Duas espécies raras de plantas, que não eram registradas havia cerca de três décadas e chegaram a ser consideradas extintas, foram reencontradas na região do Quadrilátero Ferrífero, no centro-sul de Minas Gerais. A descoberta ocorreu em uma área protegida e mantida pela mineradora Vale, e foi anunciada por pesquisadores do Projeto de Conservação de Espécies Raras e Endêmicas do Quadrilátero Ferrífero.
O projeto é fruto de uma parceria entre universidades, instituições de pesquisa e a Rede Propagar, iniciativa científica e ambiental coordenada pela Vale. Há pelo menos dez anos atuando na região, os pesquisadores já haviam encontrado outras espécies que não eram vistas há mais de um século e, por causa da falta ou do baixo número de registros, também eram consideradas potencialmente extintas.
As duas plantas agora localizadas são a Paepalanthus magalhaesii e a Coracoralina amoena, cujo nome é uma homenagem à poetisa brasileira. Ambas são conhecidas como “sempre-vivas”, por manterem a aparência de suas flores mesmo em períodos de seca, e são resistentes a condições de estresse térmico.
Assim como cerca de 30% das espécies do Quadrilátero Ferrífero, elas são endêmicas, ou seja, só existem nessa região e em nenhum outro lugar do mundo, sobrevivendo em condições extremamente específicas. A engenheira florestal da Vale, Ana Cristina Amoroso, explica que encontrar novas populações dessas plantas amplia o conhecimento sobre elas e pode tornar as ações de conservação mais eficazes.
“E aí a gente encontrar novas populações é ampliar o conhecimento sobre essas plantas. Suprir algumas lacunas de conhecimento que podem direcionar ações mais específicas, concretas, de conservação. Então assim, cada população encontrada num ambiente diferente, num substrato diferente, também é uma oportunidade pra gente conhecer melhor a biologia da planta, como ela se propaga, quão diversas essas plantas são, e o que seria necessário pra gente reintroduzir essas plantas nesse ambiente”, afirmou a engenheira.
Ao encontrar uma planta, os cientistas coletam folhas, flores e frutos para diferentes processos de análise. Segundo Ana Cristina Amoroso, cada tipo de material é destinado a um parceiro específico do projeto. “Parte do material é destinado pra estudos genéticos e outros estudos especializados, como os estudos de propagação. Esse é um dos diferenciais do projeto: tem toda essa integração entre o trabalho de campo, a taxonomia — a identificação correta do material —, as sementes, propagação e até, finalmente, a parte genômica”, detalhou.
Esses estudos são fundamentais para reavaliar o risco de extinção de cada espécie e para planejar sua reintrodução no ambiente. A pesquisadora ressalta, no entanto, que o principal desafio é recriar as condições adequadas para o desenvolvimento dessas plantas, o que torna essencial a preservação das áreas onde elas ocorrem naturalmente.
“O que é importante mesmo é o que vai ser criado a partir daquele conhecimento, né? Qual que vai ser a estratégia de conservação que vai ser desenvolvida pra aquela espécie. O trabalho é justamente fazer uma ponte entre esse conhecimento e a conservação, né, tornando a atividade sustentável”, disse.
Segundo os cientistas, a preservação das espécies é crucial para a integridade ecológica do Quadrilátero Ferrífero mineiro, especialmente diante dos prejuízos causados pela ação humana e pelas mudanças climáticas.
Fonte: Agência Brasil.
