Estiagem no Amazonas coloca 15 municípios em alerta e afeta abastecimento no sul do estado

Estiagem no Amazonas coloca 15 municípios em alerta e afeta abastecimento no sul do estado
Fonte da imagem: Agência Brasil

Feed Editoria Radioagência Nacional.

A estiagem que atinge o Amazonas neste ano já começa a refletir as previsões para o verão amazônico. A Defesa Civil do estado decretou situação de alerta para 15 municípios, a maioria localizada na região sul. No município de Envira, a cerca de 1,2 mil km de Manaus, a moradora Salete Pedrosa relata os impactos da vazante no dia a dia da população. Produtos que antes chegavam pelo rio agora são transportados por estradas, mas as más condições das vias ainda dificultam a logística.

“A trancos e barrancos eles estão trazendo assim mesmo, porque pelo rio não tá dando ainda não. Ainda tá muito, muito, muito seco”, afirmou Salete, destacando a dificuldade de acesso aos itens essenciais.

Além dos 15 municípios em alerta, outros seis estão em situação de atenção, enquanto 41 seguem em normalidade. O cenário reforça a preocupação com o abastecimento e o acesso a serviços básicos nas áreas mais afetadas.

O secretário da Defesa Civil do Amazonas, coronel Mauro Freire, informou que o órgão já adota medidas antecipadas para reduzir os impactos da seca. “Somente em 2026, já enviamos 152 kits de purificadores de água do projeto Água Boa para 24 municípios, garantindo assim acesso a água potável e principalmente às comunidades ribeirinhas. Também já foram enviadas 33.000 cestas básicas, equivalente a 759 toneladas de ajuda humanitária, reforçando o apoio às famílias afetadas por eventos hidrológicos”, detalhou o coronel.

As ações integram um pacote de resposta à estiagem, que historicamente atinge o Amazonas entre os meses de junho e outubro. A seca dos rios compromete o transporte fluvial, principal via de acesso a muitas comunidades, e eleva o risco de desabastecimento de alimentos, água potável e medicamentos.

Nesta semana, o município de Humaitá decretou situação de emergência por causa da seca do rio Madeira, que chegou a 12 metros e 49 centímetros. Com o decreto, a prefeitura pode solicitar recursos do governo federal para garantir a continuidade dos serviços essenciais na região. A medida é considerada fundamental para viabilizar ações de assistência à população e mitigar os efeitos da vazante.

A situação em Humaitá reflete um padrão observado em outros municípios do sul do Amazonas, onde o nível dos rios tem caído de forma acelerada. A Defesa Civil estadual monitora a evolução dos níveis e orienta as prefeituras a adotarem planos de contingência.

Especialistas apontam que a estiagem deste ano pode ser uma das mais severas dos últimos tempos, embora os dados oficiais ainda não indiquem a magnitude total. A combinação de fatores climáticos, como o fenômeno El Niño e o aquecimento das águas do Atlântico, tende a intensificar a seca na região.

Para as comunidades ribeirinhas, a falta de água potável é um dos principais problemas. O projeto Água Boa, citado pelo coronel Freire, tem como objetivo levar purificadores a localidades isoladas, reduzindo a dependência de água de fontes contaminadas. Até o momento, 152 kits foram distribuídos em 24 municípios, mas a demanda tende a crescer conforme a estiagem avança.

A distribuição de cestas básicas também é uma das estratégias do governo estadual para minimizar os efeitos da seca. As 33 mil cestas enviadas até agora representam 759 toneladas de alimentos, beneficiando famílias que enfrentam dificuldades para comprar produtos básicos.

A Defesa Civil do Amazonas mantém monitoramento constante e afirma que novas medidas poderão ser adotadas caso a situação se agrave. A orientação é que a população em áreas de risco siga as recomendações das autoridades locais e busque informações nos canais oficiais.

O cenário ainda é dinâmico, e a evolução da estiagem dependerá do comportamento das chuvas nas próximas semanas. Enquanto isso, os municípios em alerta e emergência buscam garantir o mínimo de normalidade para os moradores, especialmente os que vivem em áreas de difícil acesso.

Fonte: Agência Brasil.

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