
O Fundo Monetário Internacional (FMI) revisou para cima as estimativas de crescimento da economia brasileira para os próximos dois anos, mas sinaliza que o ritmo de expansão perderá fôlego em 2027. A atualização consta do relatório Perspectiva Econômica Global, divulgado nesta quarta-feira (8).
Para 2026, a projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil saltou de 1,9% para 2,4%. Já para 2027, a previsão subiu de 2% para 2,2%. Apesar da melhora, o crescimento esperado para 2027 é inferior ao estimado para este ano, o que indica uma desaceleração da atividade econômica.
Com as novas projeções, o FMI se mostra mais otimista do que o mercado financeiro, o Ministério da Fazenda e o Banco Central. Enquanto o Fundo prevê 2,4% para 2026, a Fazenda projeta 2,3%, o BC estima 2% e o boletim Focus aponta 1,99%. Para 2027, a diferença é ainda maior: o FMI projeta 2,2%, contra 1,69% do mercado.
O FMI também elevou a previsão para a América Latina e o Caribe, que deve crescer 2,4% em 2026 e 2,7% em 2027. Para as economias emergentes e em desenvolvimento, grupo do qual o Brasil faz parte, a expectativa é de crescimento de 3,8% neste ano e 4,5% no próximo. Segundo o Fundo, as diferenças entre os países refletem fatores como dependência de commodities, integração às cadeias globais de tecnologia, condições financeiras e exposição ao turismo e ao comércio internacional.
Entre as principais economias, o FMI manteve a projeção de crescimento dos Estados Unidos em 2,3% para 2026 e elevou a estimativa para 2027 para 2,2%. Na zona do euro, a previsão para 2026 caiu de 1,1% para 0,9%, enquanto a expectativa para 2027 permaneceu em 1,2%. A China teve revisão positiva, com crescimento estimado em 4,6% em 2026 e 4,1% em 2027. Já a Índia teve leve redução na projeção deste ano, para 6,4%, mas alta na estimativa para 2027, para 6,7%.
Para a economia mundial, o FMI reduziu a previsão de crescimento de 2026, de 3,1% para 3%. Em 2027, a expectativa passou para 3,4%, ainda abaixo da média registrada em 2024 e 2025. O Fundo avalia que a economia global mostrou resiliência diante da guerra no Oriente Médio, mas alerta para riscos ligados à continuidade do conflito, à fragmentação do comércio internacional e às incertezas sobre o avanço da inteligência artificial.
Apesar da resistência da economia global, o relatório destaca que o conflito entre Irã e Estados Unidos terá impacto sobre a inflação global, cujas projeções para 2026 foram elevadas em 0,3 ponto percentual, para 4,7%. Em 2027, a inflação global deve recuar para 3,9%. Segundo o FMI, os preços da energia permanecem cerca de 25% acima dos níveis observados antes do início da guerra, enquanto o comércio mundial deve desacelerar de 5% em 2025 para 3,5% em 2026, antes de voltar a crescer 4,3% no ano seguinte.
O relatório foi divulgado em meio a um cenário de incertezas fiscais e monetárias no Brasil, onde o mercado financeiro reduziu a projeção da inflação para 5,30% e o dólar caiu a R$ 5,13. O Banco Central e a Receita Federal foram autorizados a realizar concursos, mas o governo adiou reunião que poderia aumentar o etanol na gasolina para 32%.
Fonte: Agência Brasil.
