
A escalada das tensões no Oriente Médio pressionou fortemente os mercados financeiros nesta segunda-feira (13). O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira (B3), recuou 1,2%, fechando aos 175.739 pontos. O dólar comercial voltou a subir frente ao real, encerrando o dia cotado a R$ 5,131, uma alta de 0,46% (R$ 0,023). Já o petróleo tipo Brent, referência global, disparou 9,59%, para US$ 83,30 por barril, enquanto o WTI (Texas) avançou 9,42%, a US$ 78,14.
O movimento foi impulsionado pelo agravamento do conflito entre Estados Unidos e Irã, com novos desdobramentos que elevaram o temor de interrupções no abastecimento global de petróleo. O presidente dos EUA, Donald Trump, endureceu as medidas contra o Irã e anunciou a intenção de ampliar o controle sobre o Estreito de Ormuz, corredor estratégico por onde passam cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo. Como parte da ofensiva, Trump declarou a taxação de 20% sobre a carga que transitar pelo local.
Ao longo da sessão, o dólar chegou à máxima de R$ 5,142, reagindo às declarações de Trump. A moeda acompanhou o movimento de fortalecimento em relação a divisas de países emergentes, refletindo o aumento da aversão ao risco nos mercados internacionais.
No mercado doméstico, os investidores também monitoraram a divulgação do Boletim Focus, pesquisa semanal do Banco Central com agentes financeiros. O relatório manteve em R$ 5,20 a projeção para o dólar no fim de 2026 e preservou a expectativa de que a taxa Selic encerre o ano em 14% ao ano. A pesquisa também reduziu a expectativa de inflação para 5,16%.
O Ibovespa operou perto da estabilidade no início do pregão, mas passou a registrar perdas ao longo do dia, acompanhando o cenário externo. O avanço do petróleo favoreceu as ações da Petrobras, as mais negociadas, que ajudaram a conter as perdas do índice. Os papéis ordinários (com voto em assembleia) da estatal subiram 3,44%, enquanto as ações preferenciais (com preferência na distribuição de dividendos) avançaram 2,55%. Ações de outras empresas petrolíferas também registraram alta.
A alta do setor de petróleo, porém, foi insuficiente para compensar as quedas de outros segmentos. Bancos, empresas ligadas ao consumo e mineradoras puxaram o Ibovespa para baixo. O mercado reagiu ao aumento das preocupações com um possível impacto da alta do petróleo sobre a inflação global e, consequentemente, sobre a trajetória dos juros nas principais economias.
No cenário geopolítico, o governo do Irã prometeu reagir às medidas anunciadas por Trump. Também foram registrados novos ataques entre forças do Iêmen e da Arábia Saudita, além de explosões na cidade iraniana de Bandar Abbas. O cenário reforçou os temores de restrições na oferta global de petróleo e aumentou a expectativa de maior volatilidade nos mercados internacionais nas próximas semanas.
Com informações da Reuters, a Agência Brasil noticiou que o petróleo liderou os movimentos do mercado internacional em meio ao agravamento da crise geopolítica. A valorização foi impulsionada diretamente pelas ameaças envolvendo o Estreito de Ormuz, corredor estratégico por onde passa cerca de um quinto do petróleo comercializado globalmente.
Em meio a esse cenário, analistas projetam que a volatilidade deve persistir, com os investidores atentos aos próximos desdobramentos do conflito e às decisões de política monetária nos Estados Unidos e no Brasil.
Fonte: Agência Brasil.
