Jerusa Geber, campeã paralímpica no atletismo, conquista prata no ciclismo nos Jogos Parasul-Americanos

Jerusa Geber, campeã paralímpica no atletismo, conquista prata no ciclismo nos Jogos Parasul-Americanos
Fonte da imagem: Agência Brasil


O Brasil estreou nos Jogos Parasul-Americanos de Valledupar, na Colômbia, com um desempenho expressivo no ciclismo de estrada. Nesta quinta-feira (2), a delegação brasileira conquistou sete medalhas nas provas de contrarrelógio, sendo quatro de ouro e três de prata. A competição, que ocorre até 15 de julho, está sendo transmitida ao vivo pela emissora pública Señal Colombia no YouTube.

Entre os destaques do dia esteve Jerusa Geber, acreana de 44 anos, que faturou a medalha de prata na classe B (deficiência visual). Conhecida como uma estrela paralímpica do atletismo, Jerusa é tetracampeã mundial nos 100 metros, recordista da distância e a primeira pessoa cega a percorrê-la em menos de 12 segundos. Na Paralimpíada de Paris, há dois anos, ela conquistou dois ouros, nos 100 e nos 200 metros. Ligada ao ciclismo desde o fim de 2024, a atleta mostrou versatilidade ao subir ao pódio em uma nova modalidade.

Jerusa completou o percurso do contrarrelógio em 27min55s23, com a paulista Marcella Toldi como pilota (guia para ciclistas com deficiência visual). Ela foi superada apenas pela compatriota Viviane Soares, fluminense de 30 anos, que conquistou o ouro com o tempo de 26min46s41, tendo a paulista Lara Marinho como pilota. A argentina Maria Jose Quiroga completou o pódio, com 29min13s73.

“Estou muito feliz com este resultado. O ciclismo é uma paixão para mim. Estou gostando muito e pretendo ficar nele por bastante tempo. Até onde der, quero seguir no esporte dando trabalho para minhas adversárias”, declarou Jerusa à comunicação do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB).

Viviane Soares, que também transita entre o atletismo e o ciclismo, celebrou a conquista. Medalhista de bronze nos 100 metros da classe T12 (baixa visão) no Campeonato Mundial de Atletismo de 2019, ela planejava encerrar a carreira em 2025, mas foi apresentada ao ciclismo e mudou de ideia. “Muitas pessoas me ajudaram e me apoiaram nos momentos mais difíceis, quando pensei em parar. Foi uma prova maravilhosa. Eu sabia que tinha chances de pódio, mas não sabia qual medalha seria. Entrei para dar tudo de mim e mais um pouco para conseguir este ouro. Foi duro, cansei bastante, mas deu tudo certo no final”, afirmou Viviane, também em depoimento à assessoria de imprensa do CPB.

Além das duas atletas, o Brasil subiu ao pódio em outras categorias. Na classe C5 (deficiências físico-motoras leves ou amputações), o paulista Lauro Chaman venceu a prova masculina com 34min30s81, à frente dos colombianos Diego Dueñas e Juan Gómez. No feminino, a mineira Fabiana Ventura ficou com a prata (32min08s15), atrás da colombiana Paula Ossa e à frente da panamenha Laydis Veja.

Na classe C2 (comprometimento físico-motor moderado nas pernas, braços ou tronco), o mineiro Roberto Neto garantiu o ouro entre os homens, com 26min00s68, superando o colombiano Esneider Muñoz e o chileno Manuel Opazo. No feminino, a paulista Sabrina Custódia levou a prata, com 15min40s07, ficando 1min42s atrás da colombiana Daniela Munévar. O bronze foi para a argentina Maria Sergo.

Já na classe H3 (handbikes, bicicletas impulsionadas com as mãos), o mineiro Eduardo Pimenta venceu a prova com 28min41s49. O pódio foi completado pelo argentino Oscar Biga (prata) e pelo chileno Sebastian Morales (bronze).

O Brasil disputa os Jogos Parasul-Americanos com 237 representantes em 13 modalidades, além de quatro atletas-guia (atletismo), quatro pilotos (ciclismo) para auxiliar competidores com deficiência visual, dois goleiros do futebol de cegos e dois calheiros da bocha. A cerimônia de abertura será no domingo (5), com a halterofilista paulista Mariana D’Andrea, bicampeã paralímpica, e o mesatenista goiano Iranildo Espíndola como porta-bandeiras.

Esta é a segunda edição do Parasul. A primeira ocorreu em Santiago, no Chile, em 2014, quando o Brasil ficou em segundo lugar no quadro de medalhas, atrás da Argentina. A edição de 2018, que seria em Buenos Aires, foi cancelada por questões financeiras. O evento deste ano é o primeiro multimodalidade com participação brasileira no ciclo dos Jogos de Los Angeles, em 2028. A delegação brasileira conta com 50 medalhistas em Mundiais e 48 que já subiram ao pódio em Paralimpíadas.

Fonte: Agência Brasil.

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