Mata Atlântica perde 11 milhões de hectares de pastagem para a agricultura em 41 anos




Mata Atlântica perde 11 milhões de hectares de pastagem para a agricultura em 41 anos
Fonte da imagem: Agência Brasil


A agricultura avançou sobre cerca de 11 milhões de hectares de pastagens na Mata Atlântica entre 1985 e 2025, segundo relatório do MapBiomas divulgado nesta segunda-feira, Dia da Árvore. A conversão de pastagens em áreas agrícolas respondeu por 19% das mudanças de cobertura e uso da terra registradas no bioma no período.

O levantamento aponta que a soja ganhou 8,7 milhões de hectares em 41 anos e passou a ocupar 11,11 milhões de hectares em 2025, área 4,6 vezes maior que a de 1985. A cana-de-açúcar avançou 5 milhões de hectares e alcançou 6,15 milhões de hectares, o equivalente a 5,3 vezes a área registrada no início da série histórica.

Em 2025, a Mata Atlântica concentrava 25% da soja, 50% da cana-de-açúcar, 68% do café (833 mil hectares) e 34% do citrus (141 mil hectares) das áreas mapeadas no Brasil.

Com cerca de 1,3 milhão de quilômetros quadrados, a Mata Atlântica é o bioma brasileiro com a menor proporção de vegetação nativa. Em 2025, essa cobertura ocupava 32% do território, enquanto a agropecuária respondia por 63%. A área ocupada pela agricultura soma aproximadamente 20,5 milhões de hectares, ou 19% da área total do bioma.

A silvicultura também cresceu: aumentou 3,8 milhões de hectares e chegou a 4,9 milhões de hectares em 2025. Naquele ano, metade da silvicultura mapeada no país estava na Mata Atlântica, com Paraná e Santa Catarina concentrando 46% da área do bioma.

As áreas urbanizadas na Mata Atlântica cresceram 2,5 vezes entre 1985 e 2025, com acréscimo de 1,3 milhão de hectares, alcançando 2,3 milhões de hectares. Mais da metade (52%) de toda a área urbanizada do Brasil estava no bioma em 2025. Mais de 80% dos municípios da Mata Atlântica tinham menos de mil hectares urbanizados, e apenas São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba ultrapassavam 30 mil hectares. São Paulo, Paraná e Minas Gerais registraram os maiores aumentos absolutos de área urbanizada no período.

A coordenadora técnica da Mata Atlântica do MapBiomas, Natália Crusco, destacou que, apesar do avanço positivo da cobertura de áreas que haviam perdido vegetação nativa, é preciso evitar o desmatamento no bioma, presente em 15 estados e considerado patrimônio nacional pela Constituição Federal. “A regeneração tem papel fundamental na recuperação da Mata Atlântica, seja por meio da restauração ou da recuperação natural de áreas degradadas”, afirmou. Segundo ela, é essencial evitar novas perdas de vegetação nativa, tanto madura quanto secundária, especialmente em um bioma tão fragmentado e historicamente pressionado pela ocupação humana.

Análise WeekNews: Os números do MapBiomas mostram que a expansão agrícola na Mata Atlântica ocorreu sobretudo sobre pastagens já convertidas, e não necessariamente sobre vegetação nativa. Ainda assim, o bioma segue como o de menor proporção de cobertura nativa no país, com 32% do território, o que reforça a importância da regeneração mencionada pela coordenadora do levantamento para a recuperação de áreas degradadas.

Fonte: Agência Brasil.

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