
As eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, realizadas nesta quarta-feira, produziram uma série de resultados inéditos para grupos historicamente sub-representados na política do país. Negros, hispânicos, muçulmanos, indígenas e LGBTQIA+ conquistaram cargos estaduais e federais que nunca haviam sido ocupados por representantes desses grupos, segundo levantamento dos resultados divulgados após a votação.
Entre as conquistas mais destacadas está a eleição de Deb Haaland, de 65 anos, como a primeira mulher indígena a governar um estado americano. A democrata, integrante da comunidade Laguna Pueblo, comandará o Novo México por quatro anos a partir de janeiro de 2027. Haaland foi secretária do Departamento do Interior dos Estados Unidos durante o governo de Joe Biden, entre 2021 e 2025 — pasta responsável pela gestão de terras e recursos naturais federais e por assuntos relacionados aos povos indígenas.
O pioneirismo indígena também apareceu em outras disputas. A democrata Peggy Flanagan, de 47 anos, do povo Ojibwe, foi eleita a primeira mulher indígena a ocupar uma cadeira no Senado dos Estados Unidos, representando Minnesota. Já Claire Valdez, de 37 anos, do povo Ysleta del Sur Pueblo, se tornou a primeira mulher indígena eleita por Nova York para a Câmara dos Representantes. Segundo o Departamento do Censo dos Estados Unidos, pouco mais de 2% da população americana se declara indígena de uma única raça.
No Senado, outra marca histórica foi registrada com a eleição do democrata Chris Pappas, de 46 anos, primeiro candidato assumidamente gay a conquistar uma vaga na Casa. Ele foi eleito por New Hampshire e atualmente ocupa uma cadeira na Câmara dos Representantes. Pappas, casado desde 2023 com o advogado Vann Bentley, não será, porém, o primeiro representante abertamente LGBTQIA+ no Senado: a democrata Tammy Baldwin, de Wisconsin, assumidamente lésbica, foi eleita em 2012 e segue no cargo. O mandato dos novos senadores começa em janeiro de 2027.
A representação muçulmana também avançou. O democrata Abdul El-Sayed, de 42 anos, epidemiologista filho de imigrantes egípcios, foi eleito para o Senado por Michigan e se torna o primeiro muçulmano a ocupar a Câmara Alta do Congresso americano. Em Nova York, a ativista pelos direitos dos imigrantes Aber Kawas, de 34 anos, filha de refugiados palestinos, garantiu um assento no Senado Estadual. De acordo com agências de notícias internacionais, ela é também a primeira mulher de hijab eleita para a Casa Legislativa do estado.
Entre os políticos negros, os resultados também trouxeram ineditismos. A democrata Keisha Lance Bottoms foi eleita governadora da Geórgia e se tornou a primeira mulher negra a governar um estado americano. Na Flórida, o republicano Byron Donalds foi eleito governador e será o primeiro homem negro a ocupar o cargo no estado — e também o primeiro negro eleito governador na história do Partido Republicano. A legenda já havia tido um governador negro, Pinckney Pinchback, na Louisiana na década de 1870, mas ele era vice-governador e assumiu após o impeachment do titular, Henry C. Warmoth. Em Wisconsin, o democrata David Crowley será o primeiro governador negro dos 178 anos de história do estado.
Em Illinois, a vice-governadora democrata Juliana Stratton venceu a eleição para o Senado e se tornará a sexta mulher negra a chegar à Casa. Com o resultado, o estado será o primeiro a ter duas mulheres de minorias raciais representando-o simultaneamente no Senado, já que Stratton se juntará à democrata Tammy Duckworth, asiático-americana. Segundo o Censo, 13,5% da população americana se declara negra.
As urnas também colocaram mulheres em posições de comando em governos estaduais. A democrata Amy Acton, de 60 anos, estará à frente de Ohio; a também democrata Amy Klobuchar, de 66 anos, comandará Minnesota; e a republicana Marsha Blackburn, de 74 anos, foi eleita governadora do Tennessee.
No Texas, a democrata Gina Hinojosa rompeu um ciclo de vitórias republicanas no governo estadual que durava desde 1995. Aos 52 anos e de família com raízes mexicanas, ela se tornará a primeira mulher de origem latina a comandar o executivo do estado. Na Califórnia, o democrata Xavier Becerra, de 68 anos, é o primeiro latino eleito diretamente governador. O único latino a governar o estado antes dele foi Romualdo Pacheco, que ficou no cargo até 1875, mas chegou ao posto como vice-governador, sucedendo o titular.
Análise WeekNews: O conjunto de resultados das midterms indica uma mudança no perfil dos eleitos para cargos executivos e legislativos nos Estados Unidos, com a chegada de representantes de grupos que, segundo os dados do Censo citados na apuração, correspondem a parcelas relevantes da população. A eleição de pioneiros em estados de histórias políticas distintas sugere que a diversidade de origem dos candidatos deixou de ser um obstáculo eleitoral em diferentes regiões do país. Os números, porém, ainda são pontuais: tratam-se de primeiras conquistas isoladas, e não de uma recomposição proporcional dos legislativos e governos.
Fonte: Agência Brasil.

