Midterms nos EUA elegem primeira governadora indígena e ampliam minorias no Congresso

Midterms nos EUA elegem primeira governadora indígena e ampliam minorias no Congresso
Fonte da imagem: Agência Brasil


As eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, realizadas nesta quarta-feira, produziram uma série de resultados inéditos para grupos historicamente sub-representados na política do país. Negros, hispânicos, muçulmanos, indígenas e LGBTQIA+ conquistaram cargos estaduais e federais que nunca haviam sido ocupados por representantes desses grupos, segundo levantamento dos resultados divulgados após a votação.

Entre as conquistas mais destacadas está a eleição de Deb Haaland, de 65 anos, como a primeira mulher indígena a governar um estado americano. A democrata, integrante da comunidade Laguna Pueblo, comandará o Novo México por quatro anos a partir de janeiro de 2027. Haaland foi secretária do Departamento do Interior dos Estados Unidos durante o governo de Joe Biden, entre 2021 e 2025 — pasta responsável pela gestão de terras e recursos naturais federais e por assuntos relacionados aos povos indígenas.

Michigan Democratic Senate candidate Abdul El-Sayed takes the stage to speak after winning his election during the Michigan Democratic Party Election Night Party held in The Department at Hudson’s in downtown Detroit on Wednesday, November 4, 2026.
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O pioneirismo indígena também apareceu em outras disputas. A democrata Peggy Flanagan, de 47 anos, do povo Ojibwe, foi eleita a primeira mulher indígena a ocupar uma cadeira no Senado dos Estados Unidos, representando Minnesota. Já Claire Valdez, de 37 anos, do povo Ysleta del Sur Pueblo, se tornou a primeira mulher indígena eleita por Nova York para a Câmara dos Representantes. Segundo o Departamento do Censo dos Estados Unidos, pouco mais de 2% da população americana se declara indígena de uma única raça.

No Senado, outra marca histórica foi registrada com a eleição do democrata Chris Pappas, de 46 anos, primeiro candidato assumidamente gay a conquistar uma vaga na Casa. Ele foi eleito por New Hampshire e atualmente ocupa uma cadeira na Câmara dos Representantes. Pappas, casado desde 2023 com o advogado Vann Bentley, não será, porém, o primeiro representante abertamente LGBTQIA+ no Senado: a democrata Tammy Baldwin, de Wisconsin, assumidamente lésbica, foi eleita em 2012 e segue no cargo. O mandato dos novos senadores começa em janeiro de 2027.

A representação muçulmana também avançou. O democrata Abdul El-Sayed, de 42 anos, epidemiologista filho de imigrantes egípcios, foi eleito para o Senado por Michigan e se torna o primeiro muçulmano a ocupar a Câmara Alta do Congresso americano. Em Nova York, a ativista pelos direitos dos imigrantes Aber Kawas, de 34 anos, filha de refugiados palestinos, garantiu um assento no Senado Estadual. De acordo com agências de notícias internacionais, ela é também a primeira mulher de hijab eleita para a Casa Legislativa do estado.

Entre os políticos negros, os resultados também trouxeram ineditismos. A democrata Keisha Lance Bottoms foi eleita governadora da Geórgia e se tornou a primeira mulher negra a governar um estado americano. Na Flórida, o republicano Byron Donalds foi eleito governador e será o primeiro homem negro a ocupar o cargo no estado — e também o primeiro negro eleito governador na história do Partido Republicano. A legenda já havia tido um governador negro, Pinckney Pinchback, na Louisiana na década de 1870, mas ele era vice-governador e assumiu após o impeachment do titular, Henry C. Warmoth. Em Wisconsin, o democrata David Crowley será o primeiro governador negro dos 178 anos de história do estado.

Em Illinois, a vice-governadora democrata Juliana Stratton venceu a eleição para o Senado e se tornará a sexta mulher negra a chegar à Casa. Com o resultado, o estado será o primeiro a ter duas mulheres de minorias raciais representando-o simultaneamente no Senado, já que Stratton se juntará à democrata Tammy Duckworth, asiático-americana. Segundo o Censo, 13,5% da população americana se declara negra.

As urnas também colocaram mulheres em posições de comando em governos estaduais. A democrata Amy Acton, de 60 anos, estará à frente de Ohio; a também democrata Amy Klobuchar, de 66 anos, comandará Minnesota; e a republicana Marsha Blackburn, de 74 anos, foi eleita governadora do Tennessee.

No Texas, a democrata Gina Hinojosa rompeu um ciclo de vitórias republicanas no governo estadual que durava desde 1995. Aos 52 anos e de família com raízes mexicanas, ela se tornará a primeira mulher de origem latina a comandar o executivo do estado. Na Califórnia, o democrata Xavier Becerra, de 68 anos, é o primeiro latino eleito diretamente governador. O único latino a governar o estado antes dele foi Romualdo Pacheco, que ficou no cargo até 1875, mas chegou ao posto como vice-governador, sucedendo o titular.

Análise WeekNews: O conjunto de resultados das midterms indica uma mudança no perfil dos eleitos para cargos executivos e legislativos nos Estados Unidos, com a chegada de representantes de grupos que, segundo os dados do Censo citados na apuração, correspondem a parcelas relevantes da população. A eleição de pioneiros em estados de histórias políticas distintas sugere que a diversidade de origem dos candidatos deixou de ser um obstáculo eleitoral em diferentes regiões do país. Os números, porém, ainda são pontuais: tratam-se de primeiras conquistas isoladas, e não de uma recomposição proporcional dos legislativos e governos.

Fonte: Agência Brasil.

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