
O Ministério Público de São Paulo (MPSP) denunciou o motorista que atropelou e matou o gari Diego Rafael da Silva, de 19 anos, por homicídio duplamente qualificado. O caso ocorreu na noite de 26 de julho, na capital paulista, enquanto o funcionário da Loga, concessionária responsável pela coleta de lixo, trabalhava no bairro da Barra Funda, na zona oeste.
A denúncia foi apresentada ao Judiciário na última sexta-feira (31) pela promotora Mônica Nogueira Rodrigues. Além do homicídio, o motorista também é acusado de conduzir veículo sob influência de álcool e de fugir do local, condutas que infringem os artigos 305 e 306 do Código de Trânsito Brasileiro.
De acordo com o MPSP, o exame do bafômetro realizado no denunciado apontou concentração de 0,73 miligramas de álcool. Em nota, o órgão afirmou que, “após ingerir bebida alcoólica em quantidade suficiente para comprometer sua capacidade psicomotora, o denunciado assumiu a direção do veículo e passou a trafegar em velocidade incompatível com a via”.
A promotora Mônica Nogueira Rodrigues relatou que o motorista lançou o automóvel contra um trecho da via ocupado por toda a equipe de coleta de lixo, além de outros veículos e motocicletas que transitavam pelo local. Segundo ela, a vítima foi surpreendida enquanto desempenhava seu trabalho, sem qualquer possibilidade de perceber o risco, reagir ou desviar do carro.
Além da instauração da ação penal, o MPSP solicitou a manutenção da prisão preventiva do denunciado. Também pediu a suspensão de sua habilitação para dirigir, em caso de condenação pelo crime de embriaguez ao volante, e a fixação de indenização mínima de R$ 500 mil em favor de parentes da vítima.
O caso ganhou repercussão e levou os garis a suspenderem a coleta de lixo em bairro de São Paulo após a morte do colega. A paralisação foi uma forma de protesto contra a violência no trabalho e a falta de segurança para a categoria.
A Loga, concessionária responsável pela coleta de lixo na região, ainda não se manifestou publicamente sobre o ocorrido. A reportagem tenta contato com a empresa para obter posicionamento.
O motorista, que não teve o nome divulgado, permanece preso preventivamente. A Justiça deve analisar a denúncia do MPSP e decidir se aceita a acusação formal. Se condenado, ele pode pegar pena de reclusão que varia conforme a legislação brasileira para homicídio qualificado, que prevê de 12 a 30 anos de prisão.
O caso segue em investigação, e novas diligências podem ser realizadas para esclarecer todos os detalhes do acidente. A promotoria reforça que as medidas solicitadas visam garantir a responsabilização do motorista e a reparação dos danos causados à família da vítima.
A morte de Diego Rafael da Silva, que trabalhava como gari desde jovem, gerou comoção entre colegas e moradores da região. A equipe de coleta de lixo da Barra Funda, onde o acidente ocorreu, interrompeu as atividades por tempo indeterminado, conforme noticiado anteriormente.
O MPSP não informou se o motorista possui antecedentes criminais ou se já havia sido flagrado dirigindo sob efeito de álcool. A defesa do denunciado ainda não se pronunciou sobre as acusações.
A Justiça de São Paulo deve decidir nos próximos dias se aceita a denúncia e mantém a prisão preventiva. O caso também pode gerar desdobramentos na esfera cível, com a indenização solicitada pelo Ministério Público.
A Agência Brasil tentou contato com a Loga e com a defesa do motorista, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria. O espaço permanece aberto para manifestações.
Fonte: Agência Brasil.
