
O Ministério Público Federal (MPF) denunciou dois policiais rodoviários federais por homicídio qualificado e tentativa de homicídio qualificado na morte de Lorenzo Dias Palhinhas, de 14 anos, ocorrida durante uma operação no Complexo do Chapadão, na zona norte do Rio de Janeiro, em outubro de 2022. A denúncia, divulgada nesta terça-feira (14), aponta que os agentes atiraram contra os adolescentes sem que houvesse confronto ou ordem de parada.
Segundo o MPF, Lorenzo e outro adolescente, ambos entregadores de uma lanchonete da região, voltavam do trabalho em uma motocicleta quando foram abordados por policiais, revistados e liberados. Minutos depois, ao trafegarem por uma viela, os dois teriam sido alvo de disparos efetuados pelos denunciados. O MPF sustenta que não houve nova ordem de parada e que os adolescentes estavam desarmados, de costas para os agentes, em uma passagem estreita sem possibilidade de fuga ou proteção.
Lorenzo foi atingido por um tiro na parte de trás da cabeça e morreu no local. O outro adolescente conseguiu escapar. De acordo com a denúncia, outros policiais rodoviários que participaram da ação afirmaram que os dois denunciados efetuaram os disparos. O exame de balística concluiu que o fragmento encontrado era compatível com as armas usadas pelos agentes.
A operação policial ocorreu horas após o assassinato do policial rodoviário federal Bruno Vanzan Nunes, vítima de um roubo seguido de morte. Vinte agentes foram ao Complexo do Chapadão em busca de suspeitos do crime. No entanto, segundo o procurador da República Eduardo Benones, a ação da PRF foi realizada sem ordem formal de missão, briefing ou relatório operacional, além de ter extrapolado as atribuições constitucionais da corporação.
A PRF informou, por meio de nota, que há uma investigação interna aberta para apurar a conduta e a responsabilidade dos policiais envolvidos na operação conjunta. A corporação acrescentou que pediu cópia da investigação do MPF e aguarda o compartilhamento das informações para dar continuidade às apurações internas.
O caso ganhou repercussão por envolver a morte de um adolescente trabalhador durante uma ação policial sem justificativa aparente. A denúncia do MPF reforça a tese de que os policiais agiram com excesso, sem observar os protocolos de abordagem. A Justiça Federal agora analisará a denúncia e decidirá se os agentes se tornarão réus.
A família de Lorenzo Dias Palhinhas aguarda o desfecho do processo, enquanto organizações de direitos humanos cobram punição exemplar e medidas para evitar novas tragédias. O MPF não informou se há pedido de prisão preventiva dos denunciados.
Fonte: Agência Brasil.
